Embaixadora que agrediu empregada exibiu filme sobre exploração de doméstica

Marichu Mauro recebeu 400 alunos de escolas públicas para uma sessão de Qual é a cor dos sonhos perdidos?

Foto: MetrópolesExibição de filme
Exibição de filme

 

A embaixadora das Filipinas no Brasil, Marichu Mauro, assumiu a missão de apresentar ao público o drama de uma empregada doméstica filipina. Subiu ao palco do Cine Brasília, diante da plateia formada por 400 jovens de escolas públicas, e esforçou-se para falar algumas palavras em português antes de exibir o filme "Qual é a cor dos sonhos perdidos?". Na tela, foi transmitida a história fictícia de uma mulher que dedicou 60 anos de sua vida a uma família que quer deixá-la sem teto na velhice. Em algumas cenas, a patroa grita com a funcionária e a humilha.

Era 28 de agosto de 2019. Um ano depois, Marichu Mauro tornou-se a protagonista de um enredo “mais estranho que a ficção”, com cenas de violência real. Em várias ocasiões entre março e outubro de 2020, a embaixadora foi flagrada por câmeras de segurança agredindo uma empregada doméstica, também filipina, de 51 anos, dentro da residência oficial, em Brasília. No fim de agosto de 2020, funcionários da embaixada entregaram as imagens em uma denúncia feita ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que investiga o caso.

A vítima embarcou de volta para as Filipinas e a agressora também foi convocada para retornar pelo governo de seu país de origem, após divulgação do caso pelo Fantástico, nesse domingo (25/10).

O título original do filme exibido por Marichu Mauro é "Ano ang Kulay ng mga Nakalimutang Pangarap?", do diretor Jose Javier Reyes. Marichu estava sentada na primeira fila durante a exibição, no evento feito em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do DF, em uma extensão do projeto Escola Vai ao Cinema.

O filme foi apresentado pela Secretaria em sua página oficial como “uma espécie de Que Horas Ela Volta? (Anna Muylaert, 2015), no qual o diretor filipino Jose Javier Reyes explora os sentimentos de culpa da classe média de seu país com empregadas domésticas, que não apenas cuidam da casa, mas educam os filhos na ausência de pais que trabalham para sustentar o padrão de vida da família”.