Economista e ex-deputado federal

Jesus Rodrigues

Economista e ex-deputado federal

Estamos no Intervalo do Mandato

Foto: O GloboBolsonaro

 

Para nós brasileiros que gostamos tanto de futebol, vem bem a calhar a comparação do momento atual do governo com o intervalo de uma partida. Jair Bolsonaro está nos vestiários, e a calma é apenas aparente porque o jogo foi tenso no primeiro tempo e após a pandemia, quer dizer, após o intervalo, o jogo vai recomeçar.

Neste momento é para avaliar o que foi feito de certo ou errado e preparar, junto com sua equipe, o retorno ao jogo, dentro de uma estratégia que possa render melhores resultados do que os já conseguidos até agora, dá pra virar o placar?

Analisando o conjunto da obra desse primeiro tempo, podemos dizer que Jair Bolsonaro foi o mais fiel a sua história e a suas propostas de campanha que todos os outros presidentes já eleitos após a ditadura. A maior parte das atrocidades prometidas e registradas em seu programa de governo estão sendo implementadas. Escapou dessa linha quando retirou o COAF do Ministério da Justiça com a intenção de esconder a movimentação financeira do filho, senador Flávio Bolsonaro, braço institucional da milícia.

Outro aspecto importante para analisarmos é que o próprio Presidente tem causado um estrago maior à imagem do seu governo do que a oposição pôde fazer até agora. Por exemplo, o seu comportamento, e do ministério da saúde, diante da pandemia é desastroso.

Sua tentativa de autogolpe passava necessariamente por tensionar com o STF e transformar o Tribunal em estopim do caos social e da crise para o pedido de intervenção conforme artigo 142 da Constituição, tendo em vista que o comunismo não representa, na atual conjuntura, ameaça à lei e à ordem.

Jair Bolsonaro sai do vestiário e voltará para o segundo tempo do seu mandato com o objetivo claro de se segurar na cadeira, evitando, com apoio do centrão, a abertura de qualquer dos processos de impedimento que estão protocolados na Câmara Federal.

Corre por fora no TSE, mas pra chegar na frente e em breve, uma perigosa ação, entre muitas outras, de cassação da chapa Jair/Mourão. A mesma foi aberta pelo PT e trata do abuso de poder econômico, durante a campanha, no impulsionamento de fake news nas redes sociais e que poderá será alimentada pelo material colhido em inquérito do mesmo nome que corre no STF.

Escapando de um processo de impedimento no Congresso, da cassação pelo TSE e aproveitando que a oposição está sem foco, mais perdida do que cego em tiroteio e além disso dividida, o Presidente Bolsonaro, do alto de seus até agora estáveis 30% de popularidade, se credencia como forte candidato à reeleição. Poderá virar o jogo?



 


 

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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