Economia

Lula e Haddad pegam em cheio muita gente graúda, na economia, na política, na imprensa

Proposta é civilizatória, Lula vai apanhar muito


Lula e Haddad pegam em cheio muita gente graúda, na economia, na política, na imprensa
Lula e Fernando Haddad

Por Leonardo Sakamoto, jornalista, no facebook

Fazer com que os muito ricos paguem mais impostos, atacar os supersalários do funcionalismo público e limitar os benefícios fiscais a empresas que, não raro, drenam recursos que deveriam ser empregados para ajustar as contas públicas.

Parte das propostas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na noite desta quarta (27), e detalhadas por ele e outros membros do governo, na manhã desta quinta, em coletiva à imprensa, têm caráter civilizatório, com potencial para reduzir a bizarra desigualdade do país. E, por isso, o governo Lula deve apanhar mais do que Judas em Sábado de Aleluia por parte daqueles que serão (um pouquinho) prejudicados, mas que contam com muita gente para falar e lutar por eles.

As reclamações não serão devido apenas ao anúncio da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais para 2026, proposta apresentada em um momento em que o mercado esperava apenas medidas de cortes de gastos diante de um necessário ajuste fiscal — condição essencial para o controle da inflação, pior imposto contra os pobres. Mas porque as sugestões socializaram os ônus, atingindo o andar de cima, pegando em cheio muita gente graúda, na economia, na política, na imprensa.

A primeira proposta visa a recolher impostos sobre os rendimentos de quem ganha mais de R$ 600 mil por ano (R$ 50 mil/mês) partindo de um mínimo de 10%. Quem está em um contrato CLT, não precisará se preocupar porque, nessa faixa de valor, já recolhe sob a alíquota de 27,5%. Mas há aqueles que recebem via dividendos de empresas, que são isentos, terão que pagar segundo uma escala progressiva. Na prática, hoje, alguém que ganha milhões em dividendos paga percentualmente menos imposto do que um trabalhador que recebe menos de três salários mínimos.

É o mínimo civilizacional não apenas socializar a chicotada fiscal entre pobres e ricos, mas também avançar para uma sociedade com o mínimo de justiça social. É um assunto bem melhor do que anistia a golpistas ou proibir o aborto em crianças grávidas após estupradas, pautas centrais de um triste setor do parlamento.

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