Papa Francisco vai receber vereador Renato Freitas no Vaticano

"A Igreja, que seria a vítima, acolhe fraternalmente o vereador Renato, mas a Casa do Povo quer cassar a sua cidadania", diz a defesa

Foto: DivulgaçãoPapa Francisco e Renato Freitas
Papa Francisco e Renato Freitas

 

Forum - A defesa do vereador Renato Freitas (PT), de Curitiba, informou na quinta-feira (4) que o jovem político será recebido pelo Papa Francisco no Vaticano em setembro.

Freitas sofre um processo de cassação de seu mandato na Câmara Municipal da capital paranaense por ter, em fevereiro, participado de uma manifestação pacífica contra o racismo na Igreja do Rosário. Na manhã desta quinta-feira, apesar de a Justiça ter anulado as sessões que retiraram o mandato do vereador, a casa legislativa, em mais uma manobra persecutória, aprovou, em primeiro turno, a cassação do petista. 

"O Papa Francisco irá receber o Vereador Renato Freitas em setembro. Se for cassado inexoravelmente o caso Renato terá uma repercussão internacional. Iremos até Roma denunciar o abuso. O sumo pontífice receberá o Vereador que teve seus direitos políticos cassados por ser negro e por ter se manifestado contra a violência em relação aos negros. A Igreja, que seria a vítima, acolhe fraternalmente o vereador Renato, mas a Casa do Povo quer cassar a sua cidadania", dizem os advogados Guilherme Gonçalves, Antônio Carlos de Almeida Castro (o Kakay) e Edson Vieira Abdala. 

Renato Freitas já havia recebido o apoio do Padre Luís Hass, que havia celebrado a missa na paróquia onde ocorreu a manifestação e que motivou o processo de cassação. O pároco prestou solidariedade ao vereador e reconheceu que o ato não aconteceu durante a celebração. Além disso, o arcebispo Dom Cláudio Perusso divulgou nota oficial dizendo ser contra a cassação por compreender a medida completamente desproporcional ao que ocorreu.

O segundo turno da votação que pode cassar o mandato de Freitas está marcado para acontecer nesta sexta-feira (5), a partir das 9h. 

Entenda o caso 

A perseguição imposta pelo Legislativo curitibano ao vereador ocorreu depois que ele comandou um protesto pacífico contra o racismo, na Igreja do Rosário, na capital do Paraná, no dia 5 de fevereiro de 2022.

Os manifestantes pediam justiça pelos assassinatos de dois homens negros, que tinham acontecido dias anteriores. Vários movimentos fizeram o mesmo pelo país.

Uma das vítimas foi o congolês Moïse Kabagambe, que cobrou atraso no pagamento de seus honorários, em um quiosque, no Rio de Janeiro, e morreu agredido violentamente. O outro foi o caso de Durval Teófilo Filho, assassinado por um sargento da Marinha, que supostamente o confundiu com um criminoso.

Na oportunidade, Freitas fez um discurso em defesa da vida. Porém, setores conservadores da cidade se incomodaram com o ato. Depois disso, cinco representações foram protocoladas contra o vereador na Câmara e transformadas em processo de quebra de decoro.

A Arquidiocese de Curitiba chegou a apresentar ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Vereadores (CMC), em março, um documento pedindo que o vereador não fosse cassado. “A movimentação contra o racismo é legítima, fundamenta-se no Evangelho e sempre encontrará o respaldo da Igreja. Percebe-se na militância do vereador o anseio por justiça em favor daqueles que historicamente sofrem discriminação em nosso país. A causa é nobre e merece respeito”.

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