O próximo passo de Flávio Nogueira

O próximo passo de Flávio Nogueira

Foto: GoogleDeputado Federal Flávio Nogueira (PDT)
Deputado Federal Flávio Nogueira (PDT)

Por Sérgio Fontenele, jornalista O deputado federal Flávio Nogueira (PDT) está de malas e bagagens prontas rumo a outro partido. É o que dizem. O parlamentar está suspenso de suas representações partidárias, por decisão da Executiva Nacional do PDT. Ele é submetido a um processo disciplinar, dentro de sua legenda, que pode durar 60 dias. Esse processo resultaria ou não na expulsão de Flávio Nogueira e outros sete deputados federais pedetistas. O representante piauiense, assim como os demais sete parlamentares “rebeldes”, votou em favor da reforma da previdência. O voto de Nogueira, portanto, foi decepcionante, pois endossou uma ação impopular, iniciada pelo governo Bolsonaro. Flávio diz ter sido injustiçado pela sua própria sigla, que não teria discutido o assunto com os deputados federais do PDT. Ele alega que não votou a favor da proposta original do ministro da Economia, Paulo Guedes. Diz ter votado num projeto revisto, com alterações importantes, em relação à intenção original do governo. E nesse sentido o parlamentar se declara injustiçado pelo PDT, que cogita expulsá-lo de seus quadros. Ocorre que o partido fechou questão contra a reforma da previdência, considerada prejudicial ao povo, aos trabalhadores. Os oito deputados federais pedetistas, portanto, cometeram infidelidade partidária ao votar na reforma. Por isso, foram punidos pelo Conselho de Ética da histórica legenda criada pelo grande líder Leonel Brizola. Significa que o PDT continua sendo, mesmo sofrendo descaracterizações ideológicas, uma sigla de esquerda. O médico e político, que é presidente do Diretório Regional do PDT piauiense, estaria no partido errado? Sem discussão Pela realidade estadual pedetista, a eventual saída do grupo de Flávio reduziria, no Piauí, a legenda a pó. Suas desculpas ou justificativas, porém, não procedem do ponto de vista da necessária coerência que deveria ter. Trata-se de um político conservador, que beira ao fisiologismo, para estar no poder. É difícil crer que tenha consultado suas bases, seus mais de 100 mil eleitores, antes de votar na reforma. Não se tem notícia de que ele promoveu algum tipo de discussão com seu eleitorado ou respectivas lideranças locais em torno da previdência. Seria um motivo plausível para trair uma orientação partidária, se suas bases o tivessem apoiado em tal decisão. Ainda assim reprovável e passível de punição, como de fato aconteceu. O problema na leitura ou intepretação do contexto político-partidário-ideológico, feita por lideranças como ele, é que o País vive uma polarização jamais vista em sua história, e há cada vez menos espaço para tons de cinza no atual espectro, o que impõe radicalismos, e não há como se posicionar, neste sentido, no governo e ao mesmo tempo na oposição. Uma coisa ou outra. Por isso, a situação desconfortável em que se encontra. Evidentemente, o parlamentar parece não se importar muito com a retaliação lhe imposta por seus correligionários, inclusive o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Até parece confortável a possibilidade de migrar para o Progressistas, do senador Ciro Nogueira, que estaria de braços abertos para recebe-lo e acolher seu filho deputado estadual e grupo. O próximo passo seria aderir ao bolsonarismo e suas emendas parlamentares de R$ 40 milhões. OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui