Luta pela democracia precisa superar muros ideológicos

Movimentos criam, em São Paulo, Frente pela Democracia

Foto: DivulgaçãoAto Em frente pela Democracia
Ato Em frente pela Democracia

"Uma frente a favor da democracia deve ser ampla, tão ampla, que precisa doer". A afirmação é do jornalista Juca Kfouri, durante o ato Em Frente pela Democracia, em São Paulo, nessa segunda-feira, 02. O evento reuniu mais de 30 lideranças representantes de instituições e movimentos sociais de diferentes espectros ideológicos ― esquerda, centro, direita - que concordam que a democracia está ameaçada em várias frentes.

As declarações governistas com ameaças de um novo AI-5 proferidas pelo ministro Paulo Guedes e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), a prisão de quatro brigadistas do Projeto Saúde e Alegria em Alter do Chão, no Pará, e a morte de nove jovens da favela Paraisópolis após ação da Polícia Militar em um baile funk foram amplamente discutidas pelo grupo: “Bem-vindos ao nosso mundo. Espinho, balas... O que aconteceu em Paraisópolis não é novidade”, discursou José Adão, um dos fundadores do Movimento Negro Unificado (MNU), em 1978, em plena ditadura militar.

Paulo Gontijo, diretor do grupo liberal Livres, fez um chamado para que as pessoas não se fechem em seus muros ideológicos. “Enquanto a gente entrar no jogo das tribos, os que querem fazer pontes se encontraram”. Imbuído desse espírito de quebrar barreiras, o evento, no qual estiveram mais de uma centena de pessoas, começou com um debate com pessoas diferentes entre si: Juca Kfouri, da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); Silvia Souza, do Conectas Direitos Humanos e da Coalizão Negra por Direitos; Joel Pinheiro, economista e pensador liberal; Monica Sodré, da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS); e Hélio Santos, militante histórico do movimento negro e representante da aceleradora de startups Vale do Dendê. A matéria é do El País.