Inflação de Bolsonaro é o maior cabo eleitoral de Lula junto aos pobres

A queda no poder de compra dos trabalhadores continua sendo a principal dor de cabeça do candidato Jair Bolsonaro

Foto: ReproduçãoInflação no governo Bolsonaro
Inflação no governo Bolsonaro


Por Leonardo Sakamoto, jornalista, no Facebook 

Com a alta no preço do leite, da batata, do óleo de soja, do pão francês, da carne, do etanol, do diesel, o Brasil registrou a maior inflação para o mês de abril desde 1996, com o IPCA marcando 1,06%. A queda no poder de compra dos trabalhadores continua sendo a principal dor de cabeça do candidato Jair Bolsonaro, que prefere discutir urnas eletrônicas do que o preço do tomate.

O Dieese há havia divulgado que o custo dos alimentos em abril cresceu nas 17 capitais avaliadas mensalmente pelos instituto. Com isso, o preço da cesta básica chegou a assustadores R$ 803,99 em São Paulo, R$ 788 em Florianópolis, R$ 780,86 em Porto Alegre e R$ 768,42 no Rio de Janeiro.

Pesquisa Genial/Quaest, que veio a público nesta quarta (11), aponta que subiu de 51% para 59% os que avaliam que piorou a sua capacidade de pagar as contas nos últimos três meses.

Em novembro de 2021, 73% consideravam que a economia tinha piorado. Desde então, esse índice estava caindo até que estabilizou em 62%. Uma das razões para isso é que, enquanto 35% apontavam a economia como o maior problema do país em fevereiro, hoje já são 50% - um misto de arrefecimento da pandemia com a corrosão do poder de compra.

Os mais afetados são os pobres, que não contam com reservas e para quem a inflação traz fome. Não à toa, Lula se mantém com 56% de intenções de votos entre quem ganha até dois salários mínimos - Bolsonaro oscilou de 24% para 22% entre abril e maio nesse grupo. Já entre quem ganha mais de cinco salários por mês, Bolsonaro vence Lula por 43% a 36%.

A pesquisa aponta que a desaprovação ao governo Bolsonaro entre os que recebem o Auxílio Brasil de R$ 400 vinha caindo, mas também parou. Oscilou um ponto para cima, de 47% para 48% em um mês, dentro da margem de erro de dois pontos. A inflação vem comendo o benefício.

Em 2006, Lula se reelegeu mesmo com o impacto do escândalo do Mensalão, pois a economia ia bem. A classe trabalhadora é pragmática o bastante para não mudar a situação quando as condições materiais apontam para a qualidade de vida - o que não é o caso agora.

A pesquisa Genial/Quaest mostra que, mesmo com variações (Lula cresceu entre as mulheres e Bolsonaro subiu entre evangélicos, por exemplo), a situação continua igual. O ex-presidente segue com 46% e o presidente varia entre 29% e 31% nos cenários principais.

Até outubro, espera-se alguma melhora no aumento de preços e na geração de postos de trabalho, mas a instabilidade tanto do cenário externo quanto do próprio presidente torna difícil afirmar o que vai acontecer. Se a economia melhorar de forma consistente, o presidente pode crescer entre os mais pobres, que perfazem a maior parte do eleitorado. O contrário pode forçar uma decisão em primeiro turno a favor de Lula.