Professor do IFPI/Floriano

André Luiz

Professor do IFPI/Floriano

Previdência: o canto da sereia veio em forma de relatório

@ [email protected] leitor(a) certamente já fez as seguintes indagações: Por que os professores foram retirados da reforma? Por que Estados e Municípios foram retirados da reforma?

Por que o BPC foi mantido como está? Por que propuseram voltar a CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) das instituições financeiras como era em 2016?

Longe de nós querermos fornecer uma resposta simplista a esses questionamentos, tão pouco temos a petulância de esgotar o entendimento das complexas relações de poder em um artigo como esse. Mas encontramos uma hipótese, e é preciso que os militantes de esquerda tenham a consciência crítica dessa ideia. Para tanto, pedimos licença para apresentar um pouco de nossa trajetória nos últimos anos que culminaram em novas aprendizagens.

A pouco mais de um ano voltamos a fazer o que mais gostamos: estudar sobre política. Atualmente temos a honra de participar do NUFAGEC-UFPI, grupo de pesquisa liderado pela Prof.ª Dr.ª Neide Guedes e que tem como vice-líder a Prof.ª Dr.ª Hilda Mara Araújo. Durante esse período aprendemos muito e reconstruímos inúmeros conceitos, entre eles o de “Ideologia”. Antes adeptos da definição marxista, fomos apresentados aos estudos do sociólogo americano John Thompson e nesse artigo tentaremos, de forma sucinta, apresentar as bases para nossa argumentação acerca da tentativa de fragilização das lutas de rua vivenciadas atualmente em nosso país.

De modo geral, Thompson defende uma concepção crítica de ideologia, definindo-a como o uso de ideias, estratégias ou formas simbólicas para o estabelecimento sistemático de desigualdades sociais, entendidas como relações de poder ou de dominação. Em outras palavras, a concepção crítica de Thompson, traz ideologia como sendo “sentido” a serviço do poder. Em seu trabalho, o autor enumera um leque de relações de dominação que ele define como “modos de operação da ideologia”. Cada modo de operação é posto em prática pelo que Thompson define como “Estratégias Típicas de Construção Simbólica”.

Para não delongar muito o tempo [email protected] leitor(a) iremos direto ao ponto. Um dos modos de operação da ideologia mais utilizados é a Fragmentação, que tem o objetivo de segmentar os indivíduos e grupos que possam representar ameaça ao grupo dominante.

Para tanto são utilizadas como Estratégias Típicas de Construção Simbólica a Diferenciação, que é a atuação com ênfase em características que desunem e impedem a constituição de um pensamento coletivo efetivo e o Expurgo do Outro, que é a constituição simbólica de um inimigo.

Dito isto, chegamos ao ponto principal deste texto. Percebendo o equívoco cometido ao atacar ao mesmo tempo a Educação, os direitos trabalhistas, os idosos, o homem e a mulher do campo, os mais humildes, os deficientes, as estatais nacionais e, pasmem, parte da mídia tradicional, a direita do Brasil viu ressurgir nas ruas o povo adormecido/sedado e desiludido com o futuro diante da mais dolorosa derrota política desde o nosso processo de redemocratização, afinal de contas, não perdemos a eleição para um projeto de Estado liberal, mas sim para um monstro pautado no racismo, na ignorância, na xenofobia e em tudo que se pode imaginar de mais perverso na essência humana.

Feito isso e diante de uma crise econômica no Brasil e uma incompetência gerencial do Governo Federal, não restou outra alternativa aos grupos dominantes de nosso país se não uma tentativa bem pensada de fragmentar nosso povo por meio da diferenciação. No fundo, o que está por trás da cortina de fumaça do “bondoso” relatório do PSDB é uma tentativa de tirar das ruas os professores e alunos, o movimento dos trabalhadores rurais, as pessoas que perderam BPC, os servidores municipais e estaduais, os bancários, principalmente os dos bancos públicos, os funcionários dos Correios, Petrobrás, etc. Fragmentando esses grupos, restarão quais atores sociais nas ruas?

Cabe a nós o altruísmo: “Nenhum direito a menos pra todos nós”. Assim, devemos continuar firmes, cada um com suas pautas específicas, mas lutando juntos. Por isso usaremos aquilo que nos une, a defesa de nossa Previdência Social.

É!!! Em relação à reforma da previdência, o canto da sereia veio em forma de relatório. Eles só não contavam que já deixamos de ser tolos marinheiros a muito tempo.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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