Advogado

Luzinaldo Soares

Advogado

A redução de salários é jogar o ônus da crise nos trabalhadores e servidores públicos

Foto: CUTElite terceiriza a conta da crise
Elite terceiriza a conta da crise

 

E eis que os grandes culpados pelos problemas do Brasil seriam os trabalhadores e os servidores públicos. Quem diz isso? Os grandes empresários e seus representantes no parlamento, notadamente a bancada do Partido Novo e a bancada de apoio ao presidente. 

O filho do Presidente que é Deputado Federal, por exemplo, foi ao púlpito do congresso para defender o corte de salários dos servidores públicos em até 50% (cinquenta por cento), e ainda defendeu os empresários, dizendo ser contra o imposto sobre grandes fortunas e ainda argumentando que os empresários já fazem “muitas” doações.

Nenhuma novidade até aqui. Essas pessoas foram eleitas com forte apoio do capital, principalmente do capital improdutivo formado pelo rentismo. Pessoas que vivem de investimento em ações que não produzem uma cabeça de agulha. E que atuam fortemente junto ao Estado para defender seus interesses e jogar todo o peso econômico da manutenção da sociedade brasileira sobre os trabalhadores e servidores públicos. 

O duro é perceber que os prejudicados pela ação dessas pessoas votaram nelas. Muitos servidores públicos, e trabalhadores, votaram no governo que aí está e nos partidos que apoiam um estado mínimo e sem proteção social alguma. Talvez agora a ficha caia. 

Mas aí vem a pergunta: como pagar a conta do combate ao coronavírus? Eu respondo: cobrando dos devedores e sonegadores o que devem à sociedade brasileira. Especula-se que existam quase 350 bilhões de reais em débitos inscritos em dívida ativa de empresas e de sonegadores em geral. Além disso, ao longo dos últimos vinte anos essas empresas também receberam subsídios, financiamentos subsidiados e isenções fiscais que beiram ao trilhão. E aí, no final das contas, quem vai pagar a conta é a parte menos favorecida da população? 

É preciso a consciência que essas pessoas aí não vão defender uma justiça fiscal e tributária. Vivemos um país onde a tributação é profundamente injusta. Proporcionalmente, pobre paga muito mais do que rico. Não sou contra o empresário. Ele é um fator de desenvolvimento do País e deve ser também ajudado em momentos de crise. O que não dá para aceitar é que o empresário se ache um santo e jogue toda a culpa nos trabalhadores. E a conta da crise também, com demissões, corte de salários e desemprego. A pergunta que fica é: quem vai consumir, se trabalhadores e servidores vão ficar sem renda?

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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