'Véio da Havan' zomba dos trabalhadores e exalta robô sem descanso
Robô apresentado por Hang vira símbolo de nova polêmica sobre automação, direitos trabalhistas
O empresário Luciano Hang, dono da rede Havan e conhecido nas redes sociais como "Véio da Havan", voltou ao centro das discussões sobre direitos trabalhistas ao publicar, nesta segunda-feira (27), um vídeo em que apresenta uma máquina chamada "Zé Bot". Na gravação, Hang ironiza o debate sobre a redução da jornada de trabalho e afirma que o robô pode atuar em "escala 7x0", numa referência direta à proposta de acabar com a escala 6x1.
A publicação foi interpretada por críticos como mais um episódio em que o empresário ridiculariza as reivindicações dos trabalhadores brasileiros. Enquanto milhões de empregados defendem jornadas mais humanas, melhor qualidade de vida e mais tempo para convívio familiar, Hang utiliza um robô para sugerir que máquinas podem substituir pessoas sem descanso, férias, folgas ou direitos trabalhistas.
Luciano Hang é um dos principais opositores das propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil. Em diversas manifestações públicas, ele afirma que mudanças desse tipo aumentariam os custos das empresas e prejudicariam a economia. Para sindicatos e especialistas em relações do trabalho, porém, o discurso ignora estudos que apontam ganhos de produtividade e melhorias na saúde física e mental dos trabalhadores quando há redução da carga horária.
A postagem também trouxe de volta questionamentos sobre a trajetória fiscal do empresário. Embora seja um crítico frequente da carga tributária brasileira e da atuação do Estado, Hang já enfrentou autuações milionárias da Receita Federal e do INSS, aderiu ao programa federal de refinanciamento de dívidas (Refis), em um parcelamento que ficou conhecido pelo prazo estimado de mais de um século para quitação, e voltou a responder por cobranças previdenciárias em anos posteriores.
Ao mesmo tempo em que defende menos impostos e menos intervenção estatal, a Havan utilizou mecanismos públicos de renegociação tributária e foi beneficiada por decisões do Supremo Tribunal Federal que permitiram recuperar mais de R$ 800 milhões em créditos tributários. Para críticos, a combinação entre o discurso contra direitos trabalhistas e o histórico de disputas fiscais reforça uma contradição recorrente nas manifestações públicas do empresário.
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