Além de muito dinheiro público, agro quer fiscalização zero, diz pecuarista
Em vídeo, produtora rural do Mato Grosso afirma que políticas de renegociação de dívidas e ampliação do Plano Safra fortaleceram o setor, enquanto a preferência por governos de direita estaria ligada à flexibilização da fiscalização
Uma pecuarista e publicitária do Mato Grosso publicou um vídeo nas redes sociais em que apresenta sua avaliação sobre a relação entre diferentes governos brasileiros e o desenvolvimento do agronegócio. Segundo ela, a história recente do setor é marcada por políticas de crédito, renegociação de dívidas e mudanças no nível de fiscalização ambiental e trabalhista.
Na gravação, Juliana afirma que, durante o regime militar, houve investimentos voltados ao agronegócio, mas que a hiperinflação levou muitos produtores ao endividamento. Ela também diz que, no governo Fernando Collor, o aumento das taxas de juros agravou a situação financeira de parte dos agricultores, dificultando a quitação das dívidas.
Sobre o governo Fernando Henrique Cardoso, a pecuarista afirma que houve tentativas de solucionar o problema por meio de diferentes planos, sem o resultado esperado. Segundo ela, a partir de 2003, uma combinação de fatores favoreceu a recuperação do setor.
Entre esses fatores, Juliana destaca a renegociação das dívidas rurais durante o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com prazos ampliados para pagamento, além da consolidação do Plano Safra. Ela também atribui o crescimento da produção ao aumento das compras de commodities brasileiras pela China e à chegada ao campo de tecnologias desenvolvidas pela Embrapa.
A produtora rural afirma ainda que, durante o governo Dilma Rousseff, os investimentos destinados ao Plano Safra cresceram significativamente e que a política de financiamento foi mantida nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro. Segundo ela, o governo Lula ampliou novamente os recursos destinados ao programa, alcançando o maior volume de crédito da história em 2026.
No vídeo, Juliana ressalta que a maior parte dos recursos do Plano Safra é direcionada aos grandes produtores, enquanto pequenos e médios agricultores recebem uma parcela menor do montante total.
Ao abordar o posicionamento político de parte do agronegócio, a pecuarista afirma que a simpatia por governos de direita estaria relacionada, principalmente, à flexibilização da fiscalização ambiental e trabalhista. Segundo ela, regras menos rígidas facilitariam o acesso ao crédito rural por produtores com pendências ambientais ou trabalhistas.
Como exemplo, Juliana cita a exigência do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para obtenção de financiamentos em governos que, segundo ela, adotam maior rigor na fiscalização. Ela afirma que propriedades com irregularidades ambientais ou denúncias trabalhistas podem enfrentar dificuldades para acessar linhas de crédito quando esses controles são aplicados.
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