Empregos formais: Bolsa Família e CadÚnico preenchem 91% das novas vagas
Beneficiários do programa e inscritos no CadÚnico responderam por 91% dos empregos com carteira assinada criados em 2025, segundo dados do Ministério do Trabalho
Beneficiários do Bolsa Família e pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) ocuparam 91% das vagas com carteira assinada criadas no Brasil em 2025, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os dados também mostram que a tendência continuou em 2026, embora esse grupo ainda enfrente salários menores e maior rotatividade no mercado formal.
O que aconteceu
Dados do MTE, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apontam que, das 1,274 milhão de vagas formais criadas em 2025, 1,160 milhão foi preenchido por beneficiários do Bolsa Família e pessoas cadastradas no CadÚnico, o equivalente a 91% do total. Para o governo federal, os números demonstram a inserção produtiva da população de baixa renda e contestam a ideia de que programas de transferência de renda desestimulam o trabalho formal.
Entre janeiro e maio de 2026, foram abertas 767 mil vagas com carteira assinada. Desse total, 517 mil foram ocupadas por beneficiários do Bolsa Família e outras 200 mil por inscritos no CadÚnico que não recebem o benefício. Cerca de 50 mil vagas ficaram com trabalhadores fora do cadastro social.
Segundo o MTE, a chamada regra de proteção do Bolsa Família contribui para esse resultado ao permitir que beneficiários ingressem no mercado formal sem perder imediatamente o auxílio, reduzido gradualmente conforme o aumento da renda.
O levantamento mostra ainda que a maioria dos contratados vinculados ao Bolsa Família é formada por mulheres, jovens de 18 a 24 anos, pessoas com ensino médio completo e trabalhadores pretos ou pardos. Apesar do maior acesso ao emprego formal, esse grupo recebe salários médios inferiores aos dos demais trabalhadores e permanece menos tempo nos empregos. O ministério atribui essa rotatividade aos menores salários iniciais e à sazonalidade de atividades como o trabalho rural.
Os dados foram divulgados em meio a críticas sobre um possível desestímulo ao trabalho. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o Bolsa Família funciona como uma proteção social e não afasta os beneficiários do mercado de trabalho. Para participar do programa, é necessário ter renda mensal de até R$ 218 por pessoa, estar inscrito no CadÚnico e cumprir as condicionalidades previstas, como frequência escolar e acompanhamento da vacinação.
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