O que exatamente é o PL e o que quer no Piauí?
Do liberalismo à bolsonarização: a trajetória e as contradições do PL
Para quem conhece a história ou esforçar-se para conhecer, saberá muito bem o que foi o AI-5, datado em 13 de dezembro de 1968. Não entrarei em detalhes. Basta apenas mencionar o aprofundamento da repressão no Brasil à época. Antes disso, com Castello Branco e decretado em 27 de outubro de 1965, foi decretado o AI-2, extinguindo partidos políticos existentes e estabelecendo o bipartidarismo. Para quem conhece a história, novamente, ou buscar estudar nas minúcias, observou que na primeira oportunidade de redemocratização do país, houve um desmembramento dessa vigência bipartidária. Passado certo tempo, em 1985, Álvaro Valle, deputado do Rio de Janeiro, possui a iniciativa de fundar um partido. PL, partido liberal. O referido partido proclamava suas ideias numa doutrina liberal. Em seu manifesto, visa a valorização do trabalho, ao “salário justo” e à criação de novos empregos.
Como é de se esperar, o partido liberal passou por idas e vindas desde seu nascimento. Mudou de nome, uniu-se a outros legendas pequenas. Tentando sobreviver, unificou-se ao PRONA- partido fundado por Enéas Carneiro. Nesta fusão, deu vida ao PR, partido da República. Foi somente em 2019, com o João Henrique Catan, deputado estadual pelo Mato Grosso do Sul, que um movimento dentro do partido com o objetivo de voltar às origens surgiu, incluindo seu antigo nome. O PL volta novamente. Foi aqui onde o Bolsonaro acampou e trouxe aliados e simpatizantes em 2021. Hoje, o partido liberal é um reduto de bolsonaristas. O partido é liberal. Muito liberal para o Bolsonaro.
Definindo-se como conservador nos costumes e construindo um ideal de liberalismo econômico, indago aos que me leem e refletem com profunda lhaneza minhas palavras: Qual efetivamente é o projeto político e de ação social do PL? Aliás, caso o PL deixe de existir, qual marca deixará pela diferença que fez para melhor ao povo brasileiro? Filiados podem alegar que à frente da presidência, o PL esteve por pouco tempo com o Bolsonaro, todavia, se considerar que o PL existe desde 85 com políticos no congresso, ou até mesmo se considerar estes últimos anos da história recente, o que a classe trabalhadora ganhou factualmente com sua atuação ideológica, social e política? Novamente indago: Qual o projeto político do PL?
Quem acompanha os últimos acontecimentos da política brasileira, viu o descontentamento da deputada federal pelo partido liberal, Carol de Toni de Santa Catarina, que decidiu sair do PL após ter sua candidatura barrada ao Senado na definição da chapa para Santa Catarina. No encontro com a congressista, a legenda informou que uma das vagas pelo partido liberal será ocupada por Carlos Bolsonaro, e a outra com um nome indicado pela federação União Brasil e Progressista. O partido progressista, chefiado por Ciro Nogueira, adota um comportamento bem peculiar e concedente ao próprio cacique da sigla. Para quem gosta de redes sociais como o Instagram, observem os dois perfis do mesmo político já citado. A desculpa é que um perfil é para aproximar o mesmo de seus conterrâneos piauienses. Ora bolas, no Piauí tem evangélico também, por qual motivo não divulgar no seu Instagram que fala ao povo do Piauí o mesmo vídeo que divulgou em seu outro perfil em que mostra Nogueira num pleno contato ao mundo evangélico com o Valdemiro Santiago? Cuja ficha dispensa comentários. Por qual motivo o PL aceita fazer acordos com este tipo de político, escanteando a De Toni, se em um perfil de Instagram ele se autointitula como de direita, mas no perfil destinado ao Piauí não faz uma menção sequer ao mesmo espectro político ou explicita admiração ao seu “chefe”, Bolsonaro, uma vez que o mesmo foi ministro da Casa Civil em seu governo? Pegando o gancho do Bolsonaro, quantos anos de vida pública ele tem? Quantos filhos na política ele tem? Ora, o liberalismo econômico defende justamente a intervenção mínima do estado. Como acabar com a intervenção do Estado se não diminui seus interventores? Há de se notar uma questão muito interessante que ou poucos brasileiros e piauienses não conseguem ver, ou não querem ver: Não existe projeto político efetivamente estruturante no partido liberal, além de seu único objetivo: Tirar o PT. Insisto na tese que se mostra irrefutável: Ser direitista tão somente quer dizer aveludar seu ódio pelo PT, odiar o tal do comunismo sem nunca ter lido uma linha. Caso lessem, saberiam ao menos dizer que o comunismo surge muito antes de Marx, e que é preciso destacar, como bem diz o intelectual Jose Paulo Netto, quem foi Marx, qual foi o pensamento de Marx, e o que é a linha de pensamento Marxista criada por filósofos, sociólogos e intelectuais ao longo do tempo.
Que quer o PL no Piauí? Não vale falar mal dos programas sociais com a desculpa de que induzem o cidadão a não trabalhar, cujo objetivo é trazer empregos. Em 2022, Bolsonaro usou como principal bandeira o “Auxílio emergencial” e sua proposta de aumento. Menos intervenção do estado num partido que, aparentemente, defende isso? Não existe. Não precisa fazer sentido. Basta ser contra o PT. A lógica de quem está no PL é sempre orquestrada pelos meios de comando do capital: Insistem na palavra emprego, mas esperam apenas os lucros. Insistem na valorização da vida desde sua concepção, mas são contra o fim da escala 6 x 1 e as péssimas condições de trabalho. Afinal, defendem o nascimento como instrumento de mais força de trabalho no futuro, e deixam ao léu quem já está adoecido por ter sigo sugado até as tampas pelo capital. O partido liberal pode ser chamado de partido dos loucos. Entretanto, loucos que sabem bem o que fazem.
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