Lucas Bezerra

O povo e o que Joel Rodrigues ainda não entendeu

“O povo, e só o povo, constitui a força motriz na criação da história universal.” (Mao Tse Tung)


Reprodução/ Junior Santos/ Lupa1 O povo e o que Joel Rodrigues ainda não entendeu
Joel Rodrigues

Como diz na letra “Admirável Gado novo”, e gosto quando é cantada pelo Zé Ramalho, o povo marcado também é povo feliz. Mais impressionante ainda. O povo marcado, coloca-se muitas vezes na posição de quem marca, e marca bem feito. Aliás, nada marca mais que um povo marcado.

Gosto de acompanhar as andanças de muitos pré- candidatos. Seja para governo, candidaturas estaduais, federais ou pro senado. Claro que acompanho pelas redes sociais, e presto atenção em suas falas. Situação e oposição. Nada me passa despercebido. 

O pré-candidato ao governo do estado do Piauí, Joel Rodrigues, gosta de dizer que sua candidatura teve como premissa básica, o clamor do povo. Até o presente momento, não foi divulgado o vice em sua chapa, mas o Joel ressalta que precisa ter sintonia com o povo. É verdade. Qualquer chapa que procure se destacar, precisa ter sintonia com o povo. Justamente por causa disso que avalio: Joel anda longe de conseguir efetivamente algo. Não que ele seja uma má pessoa, afinal, não o conheço em detalhes, mas quando se fala de política, o indivíduo não pode alardear que é só boa pessoa. Ele precisa de um gabarito que prima, antes de tudo, por uma identidade autêntica. Retire a imagem e presença do Ciro Nogueira, o que sobra ao Joel? Outro dia, ganhou ele as “sandálias da humildade” para percorrer o Piauí. Só tem um problema. Fingir humildade comendo bolo frito com caldo de cana é tão cafona, no mínimo, quanto reafirmar-se sempre que é humilde e simples a todo momento.  Conhecer a história de um político é importante. Saber de seu passado é um fator positivo para se explorar em épocas de pré-campanhas e campanhas, mas quando o político não somente menciona seu passado, mas tenta sempre recriar uma realidade da qual ele possa se beneficiar com isso, não podemos mais tratar como história de vida, mas vitimismo puro e seco. O Joel é presidente estadual do partido progressista (PP). Algo nesse partido ele deve ter feito, e fez: Transformou o PP numa convenção de mal amados, cuja satisfação para escapar da sina de um brilho fraco, é falar do PT e do atual governador, Rafael Fonteles. A projeção na Psicanálise é um mecanismo de defesa que atribui a outra pessoa, desejos ou características que, na verdade, pertencem a nós mesmos. Quer um exemplo? Joel e companhia falam que o atual governo do estado nada fazem, sob a desculpa que é o povo que nota isso. Todavia, o que de contraponto os mesmos apresentam? Qual o plano de governo, ou pelo menos, quais sugestões de melhorias eles têm apresentado? O povo só é importante quando estão com eles, o povo que vota e quer Rafael novamente são bajuladores. Difícil entender. 

 Segundo notícias, 27 prefeitos do Progressistas declararam apoio à reeleição do Fonteles. Joel tenta se sair com a ideia de que o contato direto com o povo é que faz a diferença. Para ele, todo apoio é sempre bem- vindo, mas quando é um governante que apoia o Rafael, ele não precisa do político com a desculpa que tem o “povo”. Conhecemos o político não somente pelas promessas que ele é capaz de cumprir, mas pelas contradições que surgem e ele não é refém. Ora bolas, os 27 prefeitos foram eleitos com votos de quem? Alienígenas? Um bom prefeito consulta sua cidade como um todo, pontua o que foi feito por ela e decide seu apoio com base nisso. O Joel esquece de detalhar melhor quem ele considera como povo. Por isso, fico na seguinte reflexão: Povo é todo mundo que vota, ou um e outro que adere ao discurso que melhor agrada? Se Joel entender como “povo”, só aqueles que combinam com seu discurso, terá problemas não com esta eleição, mas com seu próprio olhar voltado à humanidade. Outro traço de projeção psicanalítica no discurso do Joel: Ele e seu partido são mais alinhados à direita e críticas ao Lula, que elogios e simpatias. Demonizam o Lula por ele só falar em pobreza, mas o que faz Joel toda hora falando de sua origem até então humilde? Se para ganhar votos ele precisa lembrar da pobreza como elo de sintonia com o povo, acredito eu que, ele não pense no pobre como agente transformador de vida. Ele rotula mais o pobre, que quem critica o pobre.

 Joel não tem aliados, tem ressentidos. Não tem plano de governo- até agora apresentado- tem uma lista de reclames. Não tem bom discurso, tem lamentações. Para falar com o povo, recria a cena de quando era pobre. Não anda mais de carroça, mas somente agora e tão somente agora ele fala que foi filho de um carroceiro. É contraditório. Não possui brio. Anda pelo Piauí sem sair de seu próprio mundo chamado “orgulho”. Fala em consertos, mas perdeu em sua própria cidade em 2022. É acometido por mecanismos de defesa para esconder seus fraquezas. Ora usando óculos, ora sem óculos, ele não enxerga direito as coisas e o que está posto para exame de consciência. Fazem ele acreditar que ele é a mudança, é o novo, é o baluarte de gestão, é tudo e mais um pouco. Aí está o início dos problemas de Joel Rodrigues: Ele acredita que é do povo, pois povo é quem anda com ele e creram nele que isso basta para que diga que tem uma multidão. É isso. É tão somente isso. Joel perdeu, desde já. Não nas urnas, pois as eleições ainda não chegaram. Ele perdeu, pois se perdeu no seu próprio mundo, e aqui ele será governador. No mundo real, no Piauí, ficará na vontade.  

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