Lucas Bezerra

O PL no Piauí e a oposição: entre erros e desastres

A crise do PL no Piauí expõe uma oposição marcada por disputas pessoais, incoerências e um projeto político que gira mais em torno do adversário do que de propostas


Reprodução O PL no Piauí e a oposição: entre erros e desastres
Toni Rodrigues, Tiago Junqueira e Ciro Nogueira


“Você marcha, José! José, para onde?” (Drummond de Andrade)

Faz muito tempo, desde minha última coluna. Copa veio e mais uma vez o Brasil não levou, Flávio Bolsonaro fazendo malabarismos para esconder sua relação com o Vorcaro, novo tarifaço do Trump contra o Brasil e assim vai. Porém, quero comentar o mais novo acontecimento no que diz respeito ao lado político. O partido Liberal, tanto na esfera nacional, quanto no estado do Piauí consegue fazer uma proeza interessante: Adoram as contradições, brigas e desavenças. Seu Deus é a ganância, sua pátria é uma terra arrasada e sua família é cheia de ingratos. “Deus, pátria e família”, como diz o lema, adotado por eles, pode ser resumido em: Estou em um lugar que não quero, numa família que não desejo e servindo à um Deus que não acredito. O que os une, mesmo assim? Simples, a fantasia quase que erótica em “tirar o PT” a todo custo. Não possuem propostas. Não possuem ideias. Digo e repito: Ser de direita para esse pessoal é tão somente ser contra o PT. 

Sabemos muito bem que o PL no Piauí não vai muito longe e muitas são as razões para afirmar isso. Todavia, acima de tudo, o PL não vai muito longe, pois sua imprevisibilidade e amadorismo são critérios obrigatórios para o sentimento de pertencimento em seus quadros. O jornalista Toni Rodrigues, pré-candidato ao governo do estado, teve essa mesma pré-candidatura retirada pelo PL. O “além da notícia” realmente gosta de ir além, e seu desgosto nos últimos dias paira sobre um possível acordo entre o PL e o Progressistas sem qualquer tipo de transparência, como afirma o próprio. A legenda, por sua vez, reafirma a pré-candidatura de Tiago Junqueira, ao Senado. Parte da imprensa fala que o Tiago, presidente do PL Piauí, tornou-se um pouco mais conhecido, graças ao Toni. Outra parte da imprensa e mais alguns falam que o correto mesmo é o PL fazer alianças, logo no primeiro turno se quiser correr um pouquinho mais na campanha eleitoral. Enfim, todos com o mesmo objetivo: Tirar o PT... Tirar o PT... Tirar o PT. Quem gosta disso? Acredito que o Joel Rodrigues, pré-candidato ao governo pelo Progressistas. Por um lado, tem o PL que agora tenta fazer alianças para sobreviver e ter um pouco de protagonismo nessa novela grotesca. Por outro lado, tem o Joel Rodrigues que quer acreditar cada vez mais que tem brilho próprio e pulso firme para fazer algo. Tudo é sobre o outro e nada sobre si. O PL é contra a corrupção, mas faz acordos com Ciro Nogueira. Joel e o Progressistas, por sua vez, escondem seu apreço por sugar ao máximo as benesses da “direita” em seu reduto, sem falar necessariamente que é de direita, ou que apoia em segredo todo o projeto fascista que vem do PL e da família Bolsonaro. Mas até aí mora um dado interessante, e talvez um “plot twist”: O PL não é da família Bolsonaro. O PL é do Valdemar da Costa Neto, e sabemos muito bem os interesses do Valdemar. O Joel não tem autenticidade, vive na sombra do Ciro Nogueira. É despreparado. Não tem muita competência para a coisa. Ciro, nessa história toda, é de direita quando convém, elogia o Lula quando atende aos seus interesses, e faz política para si. É o “pai dos prefeitos”, como gosta de ser chamado, mas também é o “pai” da mentira, alimenta no Joel a ideia que o mesmo é alguma coisa. 

Tudo que começa mal, termina mal. A oposição, com alianças ou em aspectos alternativos, não se deu conta do seu próprio problema: Eles mesmos. A contradição chega a ser lamentável. Toni sabe que iria perder, o Tiago também sabe disso, o Joel também sabe disso, e o Ciro sabe que não precisa de muita coisa, basta apenas sua eleição. O Progressistas não tem histórico e nem legado, apenas tem o interesse de um homem em seu individualismo, Ciro. O PL não tem direção e nem senso de realidade, apenas tem vontade de ter vontades. Dizem que uma boa oposição é aquela que grita, pois esta é a função dela. Todavia, essa oposição do Piauí geme no ofegante prazer de seu próprio infortúnio e vice versa. Um usa o outro para quase nada. O vencedor tem apenas o prêmio de “eu não sou pior que você”. Querer Tirar o PT a todo custo, negando todos os feitos à população que teve sua vida melhorada por políticas públicas sérias, ainda é o de menos. O ruim dessa história está em outra coisa: A perturbação de querer superar o “inimigo”, vivendo em função do “inimigo”. Não é o PT que eles precisam tirar. É a sua própria loucura que eles deveriam remediar. Curar totalmente.... Não sei se é mais possível.

Siga nas redes sociais

Deixe sua opinião: