Não falha um: policial bolsonarista que chamava Lula de corrupto está preso
Ele é acusado de facilitar entrada de celulares em presídios do Ceará

José Ramony Emanuel de Melo Costa, policial penal natural de Russas (CE), foi preso em 31 de outubro, sob suspeita de facilitar a entrada de celulares em presídios da Região Metropolitana de Fortaleza. Aos 29 anos, Ramony, que já foi diretor de três unidades prisionais, teve uma carreira meteórica e, ao mesmo tempo, polêmica, agora cercada de acusações de corrupção.
Quem é Ramony Costa?
Ramony ingressou na Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) em agosto de 2021, com salário bruto de R$ 14.422,94. Sua trajetória incluiu cargos de destaque como diretor das unidades prisionais UP-Itaitinga1, UP-Itaitinga2 e UP-Máxima, esta última reservada a presos de alta periculosidade. Fora do ambiente profissional, ostentava viagens internacionais e momentos de lazer nas redes sociais para mais de 20 mil seguidores.
O Funcionamento do Esquema
De acordo com a investigação, Ramony teria usado seu prestígio no sistema penitenciário para introduzir celulares destinados a detentos, explorando a prerrogativa de entrar e sair das unidades sem inspeção. O juiz do caso destacou que as evidências, incluindo apreensões de aparelhos e dinheiro em espécie, apontam para um esquema de corrupção passiva e associação criminosa.
A Prisão
A operação que resultou na prisão de Ramony foi meticulosamente planejada. Ele foi convidado para um evento no presídio, com um coffee break que serviu de cenário para sua captura. Após o lanche, foi conduzido à sala da direção, onde recebeu voz de prisão por policiais civis e penais. No dia seguinte, em audiência de custódia, sua prisão temporária foi convertida em preventiva.
Apreensões e Indícios
Durante as buscas na casa de Ramony, a polícia encontrou cerca de R$ 45 mil distribuídos em diferentes cômodos e no veículo do suspeito. Segundo o juiz, a quantia e os celulares apreendidos reforçam os indícios de envolvimento no esquema ilícito. Ramony argumentou que o dinheiro destinava-se ao conserto de seu carro e negou qualquer conduta criminosa, alegando inocência e chorando durante a audiência.
Defesa e Alegações
A defesa, conduzida pelo advogado Walmir Medeiros, afirmou que não há provas substanciais contra Ramony, além de depoimentos de presos, que, segundo ele, poderiam estar tentando incriminar alguém que "prejudicava" suas atividades. Ramony, de acordo com seu advogado, já teria atuado no combate à entrada de celulares nos presídios, sendo, assim, alvo de retaliação.
O caso segue em investigação, com Ramony afastado de suas funções e uma série de acusações pesando contra ele. Enquanto o desfecho ainda é incerto, o episódio levanta questões sobre corrupção no sistema penitenciário e sobre a vulnerabilidade das instituições encarregadas de combater o crime organizado dentro das próprias prisões.
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