Comunicação

Larissa Manoela: o jornalismo e o trabalho infantil

O caso reune mundocanismo e fofoca de celebridade, os dois ingredientes mágicos do jornalismo na era do caça-clique


 Foto: Instagram

Larissa Manoela
Larissa Manoela

Por Luis Felipe Miguel, professor, no facebook 

Nos últimos dias, Larissa Manoela foi o assunto mais comentado do Brasil.

O caso reuniu mundocanismo e fofoca de celebridade, os dois ingredientes mágicos do jornalismo na era do caça-clique.

É fato: as redes sociais tornaram a disputa pela atenção um negócio selvagem.

Precisamos de muita disciplina para não pularmos de besteira em besteira, de chamada sensacionalista em chamada sensacionalista.

Para as big techs, esse conteúdo é ouro puro. Afinal, seu negócio exige prender o usuário na rede pelo maior tempo possível. Quanto mais tempo conectado, maior a chance de recolher dados e de empurrar anúncios.

O jornalismo, cada vez mais dependente do tráfego nas redes, vê seus “valores-notícia” – os critérios de noticiabilidade que deveriam presidir a seleção dos fatos a serem noticiados – serem substituídos por “valores-compartilhamento”.

As páginas dos grandes jornais na internet – seus sites, seus perfis em Facebook, Instagram etc. – estão lotadas de crimes sangrentos, peraltices de animais, vexames de ex-BBBs, videocassetadas.

É um paradoxo. Ao mesmo tempo em que precisa reafirmar sua dignidade profissional para se diferenciar das páginas pseudojornalísticas da web, a imprensa se vê levada a mimetizar as práticas dos caça-cliques mais rasteiros.

Eu confesso que nunca tinha ouvido falar de Larissa Manoela. A exposição do seu caso – da qual ela é participante ativa, é necessário frisar – vai muito além da razoável discussão da relação entre pais e patrimônio de filhos menores.

É a exploração de um conflito privado a fim de entreter a audiência, apelando para nossas emoções mais primitivas. O que sempre é a lógica do caça-clique, aliás.

Mas o caso me fez pensar uma coisa: um uso bom, finalmente, da inteligência artificial no mundo das artes.

Já é possível caminhar para proibir o emprego de crianças em produções audiovisuais.

As celebridades mirins trabalham, em transgressão da normal geral que deve proteger as crianças. Ganham um dinheiro que não é delas. Têm afetados a escolarização, o convívio com outras crianças, todo seu desenvolvimento.

Em uma palavra: não é saudável. Se gostam, se têm talento, podem fazer teatro na escola.

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