Belchior canta em Dias: Um comentário sobre Wellington e Vinícius
Entre memória, legado e esperança: uma reflexão sobre o passado, o presente e a continuidade política no Piauí
“Você que é muito vivo, me diga qual é o novo” (Mote e Glosa, Belchior)
Não falo por mim próprio. Aliás, estas palavras soarão muito poéticas. Emprestei minhas mãos aos grandes que me antecederam, pois os grandes viram o que não vi e deram testemunho do que apenas ouço falar. Os outros que aqui estiveram, fartos à sorte que lhes foi dada num tempo que tudo era incerto, narram o Piauí em odisseia. Mas regresso ao quê? Espera-se voltar para um conforto, outrora experimentado. Porém, quando se trata do Piauí de certo tempo até início dos anos 2000, o verdadeiro regresso não é bem o que costumamos pensar. Quando Wellington Dias, assume pela primeira vez o mandato de governador do Piauí, ele personifica, por meio de seu lema: “A vitória que o povo quer”, um desejo arraigado no inconsciente dos que nada tinham, além de seu próprio infortúnio. O verdadeiro regresso? Tentar voltar ao seio original da ideia de ser o que não era, mas sem saber como. Querer ter algo e sentir orgulho de algo, sem ter visto o vislumbre do pouco que lhe escapou. Éramos criancinhas e sabemos disso. Não lembramos os feitos do Wellington, mas estamos envolvidos num frenesi fortuna de oportunidades aparecidas e glórias recebidas. Reorganização financeira, fomentação da educação e cultura, sancionamento de legislações estaduais focadas no amparo à pessoa idosa, promovendo ações sociais e direitos, combateu a fome e voltou sua atenção em áreas de infraestrutura. Atualmente, como Senador e Ministro, continua a fazer. Éramos crianças, eu sei. Falar do que não soube o antes e depois de uma vivência, cuja fé socorria e o suor escorria, têm seus deleites para a soberba. Criticar no trunfo de ter a sobremesa do avanço, também é desfalcar-se do banquete, que até então era de sonhos e ilusões. Wellington, soube fazer o que precisava ser feito, e como fala Clarice Lispector: “Já que sou, o jeito é ser”, ele foi ele mesmo. A voz mansa e calma. Ensinou-nos muito, inclusive. Agora, um fato inédito parece ocorrer no Piauí num fluxo temporal que não tem medidas exatas, mas momentos exatos; O pai vê-se com ocupações de muitos Brasis num só Brasil, e parece dizer: Os que me acompanharam, sabem bem o que fizemos. Os que querem caminhar, agora, caminhem com a minha força numa nova vitalidade. Nas terras quentes do Piauí, um sopro. Os críticos chamam de Oligarquia. Todavia, podemos chamar de “o curso da história semeando seu próprio desejo de continuar sentido amor por esta terra”. O pai mostra ao Piauí seu filho. E o filho, mostra ao pai, o que ele é, por onde veio, e para mostrar o que dele saíra, para daí multiplicar.
Conheci o Vinícius Dias olhando em seus olhos. Não diria tímido, mas modesto e comedido. Senti como estar conversando com um irmão mais velho que teve que sair de casa para alguma ocupação na vida. É verdade. Ele é médico e não desfrutamos de uma intimidade. Contudo, o que é a intimidade, senão uma conquista de duas pessoas que comungam do direito de acreditar na vida, mesmo quando ela se apresenta um fardo? Era noite. Sua voz calma lembrava o pai, mas com um pouco mais de ousadia curiosa, consegui ver o Vinicius pela própria pessoa dele. Ele é sólido. Disse muito por não dizer tanto. Foi certeiro. Parecia entender as muitas novas angústias, que o mundo moderno se acometera. Realmente entendeu- não há dúvidas-. Ele veio do pai, mas quando se trata de pré-candidaturas, futuramente candidaturas, campanhas eleitorais, vida pública e assim por diante, não tem como muito prever, ao mesmo tempo que muito se pode decifrar. Não acredito que ele seja uma aposta. Aqui, cartas são espelhos, e espelhos mostram certezas. Eu vejo bem sua face resplandecida num trabalho que irá continuar o legado do pai, e também culminará em sua própria fronte de atuação pela augusta certeza e excelência em saber exatamente o que está fazendo. Agora não sou mais criança, e os que estão comigo, fazem-me lembrar da música “A guerra dos meninos” do ilustre cantor, Roberto Carlos, que assim falava: “De todos os lugares vinham aos milhares. E em pouco tempo eram milhões”. Não é só sobre falar de alguém. É, antes de tudo, falar sobre mim mesmo e o que eu quero para mim mesmo. Vocês já sabem o que eu quero. Aprendemos muito com o pai, e escreveremos uma bonita história com o filho.
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