Política

Autor do artigo “Ser rico não é pecado” foi denunciado no Esquema PC Farias

João fez parte da equipe da ex-ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello


Foto: DivulgaçãoJoão Carlos Camargo
João Carlos Camargo

 

DCM - O artigo “Ser rico não é pecado”, publicado na Folha de S.Paulo, causou polêmica pela quantidade de asneiras para defender o indefensável num país de desigualdade obscena.

O autor, João Carlos Camargo, critica a medida provisória do governo Lula que prevê a taxação dos chamados “fundos exclusivos” e o projeto de lei, enviado ao Congresso, que cria uma tributação anual sobre rendimentos de aplicações em offshores.

Segundo Camargo, essa experiência foi mal-sucedida na Europa. É mentira. A Itália instituiu uma taxação sobre a riqueza financeira de cidadãos no exterior, a Bélgica introduziu um imposto sobre o patrimônio financeiro dos cidadãos com fortunas a partir de 500 mil euros (R$ 3,2 milhões), a Holanda criou o Imposto sobre Ganho Presumido de Capital, e por aí afora.

Na verdade, a MP cria um “come-cotas” sobre os fundos exclusivos e off-shore, como funciona com os demais fundos de investimentos. Acaba com um privilégio absurdo. Camargo e companhia serão tratados pela Receita Federal como qualquer cidadão brasileiro, sem nenhuma benesse só por serem milionários.

“O brasileiro que construiu seu patrimônio deve ser admirado como o protagonista de uma jornada de sucesso. Ele não apenas representa um exemplo de realização, como contribui, muito concretamente, para o desenvolvimento nacional”, escreve ele.

A “jornada de sucesso” de Camargo é emblemática. Camargo é presidente do conselho da Esfera Brasil, empresa que promove encontros entre empresários e políticos — leia-se lobby –, em geral na sua casa. É sócio da CNN, do grupo 89 Investimentos e dono das rádios 89 FM, Alpha e Nativa.

Seu pai, José Camargo, foi deputado federal e empresário de comunicação e o sogro era o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) Dilson Funaro.

João fez parte da equipe da ex-ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello, como assessor especial. E aí a porca torce do rabo.Foi denunciado por participação no “Esquema PC”.

As investigações começaram com a localização de cheques “fantasmas”, sacados de contas-correntes abertas com nomes falsos, mas operadas por pessoas ligadas a Paulo César Farias, o operador de Fernando Collor de Mello morto num motel de Alagos com a amante.

Conforme a denúncia, os gastos de hospedagem de Zélia e de toda a equipe econômica na Academia de Tênis, em Brasília, foram pagos por PC Farias. Em contrapartida, Zélia estaria envolvida, segundo o MPF, na concessão de reajuste de tarifas de transportes rodoviários, favorecendo a RODONAL.

Camargo relatou à Justiça que os depósitos eram feitos em sua conta corrente quando pedia à ex-ministra recursos para pagar despesas de interesse dela.

Ele foi autuado pela Receita Federal por omissão de rendimentos, pois não apresentou provas documentais de que o montante era utilizado por Zélia.

Foto: Divulgaçãoartigo

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