UFRJ recomenda volta do uso de máscara em ambientes fechados ou de aglomeração

Núcleo da universidade mostrou substancial e progressivo aumento da positividade de Covid nas últimas semanas: 2,6% em setembro para 18,3% em outubro

Foto: DivulgaçãoUso da máscara
Uso da máscara

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) soltou nota recomendando a volta do uso de máscara pela população em ambientes fechados ou de aglomeração. Isso porque o Centro de Triagem Diagnóstica para a Covid-19/NEEDIER (Núcleo de Enfrentamento e Estudos em Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes) divulgou resultados de testagem para Covid-19 mostrando um substancial e progressivo aumento da positividade nas últimas semanas, de 2,6% em setembro, para 18,3% em outubro, entre profissionais e estudantes da UFRJ.

“O Centro mantém o atendimento regular de casos suspeitos de Covid-19, diariamente, das 8:00 às 13:00. Estimulamos a procura do CTD para diagnóstico a fim de permitir o monitoramento mais preciso da ocorrência de casos e identificação das variantes circulantes em nossa comunidade. Cabe ressaltar a importância de estar com o esquema vacinal atualizado em conformidade com a proposta da SMS-RJ”, disse um trecho da nota.

O secretário municipal de Saúde do Rio, deputado federal eleito Daniel Soranz, confirmou que há uma subvariante da Ômicron, a BQ1, circulando pelo município.

“A Fundação Oswaldo Cruz confirmou já um caso da subvariante da Ômicron BQ1 circulando na cidade do Rio de Janeiro. Nesse momento, a Prefeitura já pode afirmar que há a circulação dessa subvariante local na cidade do Rio e que a subvariante pode sim estar provocando um aumento do número de casos nesse momento. É uma subvariante que não tem nenhum sinal de maior gravidade que outras subvariantes, mas merece toda a atenção para aquela população que ainda não se vacinou. As pessoas que não tomaram a dose de reforço devem procurar a unidade de saúde porque a vacina protege contra a subvariante, a internação e o óbito. Todas as unidades de saúde do Rio de Janeiro têm testes rápidos para a Covid 19. Qualquer sintoma, a pessoa pode procurar uma unidade de saúde para se testar”, recomendou Soranz.

O infectologista Celso Ramos, presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, além de também recomendar a vacinação para quem ainda não o fez, diz que o governo deve voltar a fazer campanha de vacinação em geral.

“Enquanto houver vírus circulando, a gente vai ter novas variantes. Isso em si significa o que a gente vem dizendo há dois anos e meio, quase três: a doença não vai desaparecer. Agora, existe um número enorme de doenças virais que circulam por aí com novas variantes e isso explica, em grande parte, porque a gente fica resfriado, por exemplo. Não estou comparando a Covid diretamente a um resfriado. É preciso que nós voltemos a liderar o mundo em vacinação. Não só contra a Covid, mas também contra a pólio, contra o sarampo, uma doença que o Brasil voltou a ter. Isso é um absurdo! É preciso que a gente retome a ideia de que vacina faz bem e é preciso também que os nossos governos retomem a ideia de que elas não são propriamente decisões individuais, é questão de saúde pública. É preciso que esteja disponível e que haja uma campanha permanente para que a gente não regrida. Quem não está com a sua vacinação em dia, deve tomar a vacina!”, afirma o especialista, que foi professor do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias e hoje está aposentado.

O médico acha desnecessário o uso de máscara em aglomerações.

“Eu acho que, em transporte coletivo e qualquer ambiente fechado, sim. Para qualquer aglomeração, eu acho que ainda não. Isso inclui as unidades de saúde. No meu consultório, até porque trabalho com doença infecciosa, eu uso máscara. Os pacientes devem entrar em minha sala com máscara. Até porque um deles pode estar com Covid achando que está com uma outra coisa. Agora, não acho que seja o momento de colocar máscara dentro de supermercado ou shopping center. Agora, eu não pego táxi sem máscara. As pessoas devem usar máscara para se proteger. Não é uma situação de descontrole, como em maio de 2020, que tinha que interromper o que estava fazendo porque tinha paciente batendo na porta do hospital, tinha paciente com necessidade de ser posto sob ventilador, sem que você tivesse este aparelho. Você tinha que evitar que as pessoas fossem ao hospital porque elas podiam se contaminar ou eventualmente contaminar outras pessoas. Tinha que evitar que você, por exemplo, fosse ao hospital com uma tosse, pois eu iria receitar uma dipirona para você tratar em casa, já que você poderia pegar Covid. Ou você estar com Covid e infectar alguém no hospital que foi tratar a pressão. Espero que isso não retorne. Quem tem fatores de risco deve usar máscara. Não é uma imposição. Espero que volte a prevalecer o bom senso”, disse.


Com informações do Eu Rio 

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