Sobretaxação do aço é castigo para a subserviência

A medida dos EUA serve não apenas para prejudicar a economia brasileira, mas para desmoralizar Jair Bolsonaro, que venera Trump.

Foto: google imagensApesar do esforço de Bolsonaro para agradar Trump, EUA sobretaxa aço do Brasil
Apesar do esforço de Bolsonaro para agradar Trump, EUA sobretaxa aço do Brasil

A sobretaxação do aço e alumínio brasileiros, por parte dos EUA, é mais um vexame da política de subserviência aos interesses norte-americanos. O presidente yankee Donald Trump não pestanejou em sobretaxar esses produtos brasileiros, causando grande constrangimento nos gabinetes do Palácio do Planalto. De fato, a medida dos EUA serve não apenas para prejudicar a economia brasileira, mas para desmoralizar Jair Bolsonaro, que venera Trump, assim como um cão o faz, em relação ao seu dono.

Mais uma vergonha nacional, já que Bolsonaro e sua trupe associaram um extremismo de direita a uma aliança unilateral com os Estados Unidos, encarados pelo bolsonarismo como uma entidade mítica, uma civilização à qual é preciso se humilhar e submeter. Tudo isso para agradar Trump? O presidente dos EUA nunca esteve nem aí para o colega brasileiro, a não ser para considerá-lo um fantoche, entreguista, capaz de comprometer a soberania e a economia nacional para atender os interesses do Tio Sam.

Só não viu quem não quis um certo comportamento esnobe, por parte de Trump, diante de quem lhe parece um lambe-botas. E não foram poucos fatos explícitos de subserviência aos norte-americanos, como não se tinha visto nem mesmo durante a ditadura militar. Além de bater continência à bandeira dos EUA e gritar "USA", durante solenidade pública – imagem bastante explorada durante a campanha eleitoral de 2018 –, Bolsonaro deu declarações de que “entregaria” a Amazônia, para que eles pudessem explorar a região, como lhes convier.

Entrega da Base de Alcântara

Depois de empossado presidente, Bolsonaro, acompanhado de seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, começou a pôr em prática seus planos subalternos. Aprovou a venda da estratégica empresa brasileira Embraer, a preço de banana, para a Boeing, assinou um acordo de salvaguarda tecnológica – depois vergonhosamente aprovado pelo Congresso Nacional – para ceder a Base Espacial de Alcântara, etc. O acordo, porém, não prevê qualquer tipo de transferência de tecnologia ao Programa Espacial Brasileiro.

Depois, embarcou euforicamente na pretensão fracassada, por parte dos EUA, de invadir a Venezuela, liberou o visto de entrada a cidadãos norte-americanos, sem que houvesse a devida contrapartida – ou seja, os yankees continuam exigindo o visto dos brasileiros que querem ir ao território norte-americano – e mais. Tudo para transmitir a mensagem de que os EUA são os nossos líderes, os reis do pedaço e precisam ser seguidos cegamente, pois, como declarou Araújo, “é um país que “expressa preocupação particular com a questão da fé”.

Nunca se viu tamanha heresia e estupidez no Itamaraty, cuja tradição internacional remonta a excelência na complexa esfera da diplomacia. Como o boneco de um ventríloquo improvável, que também é uma espécie de mamulengo do verdadeiro ventríloquo, na América do Norte, o chanceler brasileiro falava ainda “em defesa do espaço para o exercício da fé cristã”. Era uma justificativa do tal alinhamento automático com os Estados Unidos, que traria tudo de bom para os brasileiros. Afinal, o que é bom para os EUA, é bom para o Brasil?