Sinte-PI diz sentir-se ameaçado e convoca assembleia geral para o dia 02

Em entrevista coletiva à imprensa, sindicato reafirma continuação da greve e divulga carta à sociedade

Foto: SinteColetiva à imprensa
Coletiva à imprensa

Em entrevista coletiva concedida na manhã desta quinta-feira, a presidente do SINTE-PI, professora Paulina Almeida, e o secretário de Comunicação do sindicato, professor João Correia, reafirmaram a continuidade do movimento grevista na Educação piauiense, iniciada desde o dia 10.

A diretoria do sindicato alega não ter sido recebida diretamente pelo governador Wellington Dias, embora tenha sido recebida pelo secretário de Educação, Ellen Gera, e secretário de Governo, Osmar Júnior, no Palácio de Karnak.

Foto: SegovSinte é recebido no Palácio de Karnak
Sinte é recebido no Palácio de Karnak

Foto: SegovSecretários de Educação e Governo recebem Sinte
Secretários de Educação e Governo recebem Sinte

A categoria também contesta a proposta apresentada pelo Governo. "A proposta que o governo divulgou na mídia, de 4,17% é referente ao ano de 2019 e está condicionada à Lei de Responsabilidade Fiscal. Queremos saber do reajuste de 2020, das condições de trabalho, transportte e merenda escolar, promoções, reenquadramento, celeridade das aposentadorias, e disso o governo não fala", destacou Paulina.

Após a coletiva, foi divulgada uma carta aberta do Sinte Piauí dirigida à sociedade. Leia abaixo:

O Sinte Piauí, em nome dos 40.000 educadores filiados a esta entidade, esclarece para a povo do Piauí, alguns pontos em relação ao atual movimento grevista, no qual estamos envolvidos desde o dia 10 de fevereiro de 2020.

Há 12 anos, a Lei n° 11.738/08, desencadeou um processo de valorização, através do reajuste dos trabalhadores iniciantes na educação básica pública, dado de forma linear, ou seja, estendido a todos os profissionais da educação.

No ano de 2019, os aposentados e aposentadas da educação pública do Piauí, não receberam o reajuste, e este ano também, de acordo com a “proposta” apresentada pelo governo Wellington Dias na Assembleia Legislativa, não o receberão.

Os servidores ativos receberam, em alguns meses daquele ano, o reajuste na forma de auxílio alimentação, que, posteriormente, seria incorporado ao vencimento, condicionado a que o governo saísse do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que não ocorre há dois anos, apesar do “padrão China de crescimento”.

Estamos sendo sacrificados pela má gestão e a greve sendo criminalizada pelo governador e secretários quando afirmam, em um esforço midiático, que ganhamos acima da Piso, “esquecendo” de citar que englobam gratificações. Do mesmo modo, se distanciam da verdade ao fazer a defesa do diálogo, visto que, nas raras vezes em que simulou negociar, fez “ouvidos de mercador” as questões referentes a merenda e transporte escolar, infraestrutura das escolas, promoções, aposentadorias e respeito à Lei do Piso.

Na tentativa enfraquecer a greve, as falácias associaram ameaças de corte de ponto, um contrassenso, que nos liberaria de repor as aulas perdidas, o que sempre cumprimos por responsabilidade social.

Muitos dos seus integrantes do governo e alguns deputados da base atuaram nos movimentos sociais, inclusive no Sinte Piauí, no entanto, tentam manter o arrocho salarial sobre a nossa categoria. Continuaremos resistindo, dando uma aula de dignidade e cidadania para os nossos alunos e para a sociedade, mas, também para os que conspurcam a sua biografia se posicionando francamente contra a classe trabalhadora e a educação pública.

A GREVE CONTINUA!

NÃO NOS INTIMIDAMOS COM AMEAÇAS!

GOVERNO WELLINGTON DIAS NÃO RESPEITA TRABALHADOR!

TODOS NA ASSEMBLEIA GERAL NO DIA 2 DE MARÇO!