Piauiense e barbeiro fecha salão e monta barbearia em uma van, no DF

Alberico é natural de Eliseu Martins, município no Piauí

Foto: MetrópolesAlberico
Alberico

Metrópoles - Após 42 anos cortando cabelos em salões de beleza, o barbeiro Alberico Pereira de Sousa, 58, precisou buscar uma alternativa para manter-se na profissão e conseguir driblar a crise econômica que surgiu com a pandemia do novo coronavírus. Neste ano, o morador de Ceilândia fechou as portas do estabelecimento que tinha na 208 da Asa Sul e resolveu montar uma barbearia móvel, em uma van, para também atender em domicílio.

“Eu gosto muito do que eu faço, é a minha vida. Cada cabelo que corto eu fico muito orgulhoso”, diz Alberico. “Mas eu fechei em abril, porque no segundo lockdown eu já não dei mais conta“, comenta.

Alberico é natural de Eliseu Martins, município no Piauí. Ele já atuava como barbeiro quando mudou-se para o Distrito Federal, em 1989, e começou a atender clientes em um salão de beleza no Guará. De lá, foi trabalhar em outros salões, na Asa Sul.

Com o passar dos anos, o barbeiro passou a ficar conhecido na região. Trabalhou com carteira assinada e, há 10 anos, abriu o próprio salão, na 208 Sul. Com a crise, porém, fechou a loja neste ano e logo precisou de uma alternativa para manter o sustento dele e da família.

Foto: MetrópolesAlberico

“Vendi o carro que tinha e comprei a van. Eu mesmo quem montei tudo. Como eu já tinha as cadeiras, fui complementando aos poucos e ainda vou melhorando com o tempo, porque precisa ter dinheiro. Essa pandemia foi muito pesada para a área da beleza Essa minha ideia da barbearia na van eu tive em 2004. Só que, na época, eu não pude concretizar. Com a pandemia, resolvi abrir esse novo negócio e tenho clientes que estão comigo até hoje”, completa Alberico.

Para ele, além de ser uma ideia inovadora, também proporciona maior segurança aos clientes durante a pandemia. “Abri meu próprio salãozinho, minha barbearia móvel e só de estar no ventinho, ao ar livre, já é bom. Não tem aglomeração, cada um tem seu horário”, destaca.

De segunda a sábado, por volta de 7h, Alberico estaciona a van em uma vaga na área residencial da quadra e começa a atender os clientes ainda cedo. Fica até 18h30 e retorna para casa no mesmo veículo. “Mas, se valer a pena, eu vou até a casa do cliente. A partir de três pessoas [contratando o serviço], atendo em domicílio”, pontua.

Ele diz que os melhores dias de faturamento são sexta, sábado e segunda, mas que ainda está com o movimento abaixo do que tinha antes da pandemia. “Antes, eu cortava 25 a 30 cabelos por dia. Aqui é 10, 12, 15…”, comenta.

Hoje, Alberico é microempreendedor individual (MEI). Apesar das dificuldades do trabalho autônomo, ele acredita em dias melhores e sabe que pode contar com os clientes antigos.

Foto: MetrópolesAlberico