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Pedreiro é espancado até a morte após fake news de vereador em SP

Rapaz de 22 anos tinha transtornos mentais e passou a dizer coisas agressivas contra cachorros. Vereador de Suzano (SP) teria espalhado informação.

Foto: Reprodução/redes sociaisRafael dos Santos Silva, de 22 anos
Rafael dos Santos Silva, de 22 anos

 

Rafael dos Santos Silva tinha 22 anos e havia ido embora do Recife (PE) em 2020 para tentar uma vida melhor em São Paulo. Morando em Suzano, na Região Metropolitana da capital, ele trabalhava como ajudante de pedreiro e enviava dinheiro à mãe para que ela, segundo suas próprias palavras, "pudesse comprar uma casa". No entanto, o rapaz foi morto de forma brutal por linchamento, em 17 de dezembro do ano passado, e as cenas horrendas do crime foram disponibilizadas na internet.

Agora, pouco mais de dois meses depois, a Polícia Civil paulista concluiu que o jovem foi vítima de fake news. Rafael vinha sofrendo de transtornos psiquiátricos, de acordo com amigos, familiares, conhecidos e a polícia, já que andava falando nas ruas e escrevendo nas redes sociais coisas desconexas. A mãe dele, Ariceli Santos, de 46 anos, confirma que o filho estava desorientado e estranho nos últimos tempos.

Conforme apurado pelo delegado Rubens José Ângelo, do Setor de Homicídios da Seccional de Mogi das Cruzes, que atuou no inquérito de homicídio, Rafael vinha falando e postando coisas nas quais manifestava ódio e reprovação a cães de um modo geral, como dizer que tais animais "eram impuros" e "do demônio". No entanto, não há qualquer indício factível de que ele tivesse feito mal, de fato, a esses bichos.

Nos dias que antecederam seu covarde assassinato, um vereador de Suzano, conhecido como ‘Marcel da ONG’ (PTB), postou um vídeo nas redes mostrando uma história, também baseada em um vídeo, em que três cães teriam sido mortos de forma cruel, embora não tenha ficado claro até agora quando e onde tais atos cruéis tenham acontecido. O parlamentar diz então na narração "que já sabia quem era o autor da morte dos animais" e que "foram no emprego dele e ele confessou as mortes", supostamente alegando que "cachorro era coisa do demônio". O homem que seria dono dos cães também fala neste vídeo disponibilizado pelo vereador.

“A gente foi atrás da pessoa, e a pessoa só alega que cachorro é coisa do demônio. Tem vários vídeos na rede social dele dizendo que cachorro é coisa do demônio, ele prega isso. A gente foi atrás dele no local em que ele está trabalhando e ele já confessou que matou, que o animal é coisa do demônio. Se ele tem algum problema mental, se ele é usuário de drogas, ele precisa ser encaminhado para a delegacia, familiar tem que ser comunicado, ele tem que ser tirado de circulação ou fazer algum tratamento. Ele também pode ferir um ser humano, uma criança”, afirma ‘Marcel da ONG’ no vídeo disseminado.

Encontrado por um grupo de pessoas na Estrada do Tanaka, em Suzano, Rafael foi brutalmente linchado com socos, pontapés, pauladas e pedradas. Ao tentar fugir, muito ferido, ele ainda foi atropelado e morreu. Ele apenas gritava que não era o responsável pelas mortes dos animais.

“Trata-se de um crime bárbaro, cruel. A divulgação dessa fake news acabou culminando na morte da vítima, dessa pessoa inocente. Na verdade, o Rafael tinha problemas psiquiátricos. Ele necessitava de um tratamento médico”, disse o delegado à reportagem da Folha de S. Paulo. Rubens José Ângelo afirmou ainda que o vereador responderá pelos crimes de propagação de notícia falsa e incitação ao crime.

Até agora, sete acusados pelo crime já foram encontrados e presos pela polícia, que montou a “Operação Fake News” para buscar cada um dos assassinos do jovem. O último suspeito foi detido no dia 6 deste mês, em Rio Grande da Serra (SP).

Com informações da Fórum 

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