No Nordeste, apenas o Ceará diz sim às escolas militares

Escola Militar

Foto: Polícia MilitarEscola Militar no Piauí
Escola Militar no Piauí

Apenas o Governo do Ceará aderiu à proposta de militarização das escolas sugerido pelo governo Bolsonaro, no Nordeste. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, 15 estados e o Distrito Federal aderiram. O MEC vai abrir o prazo de 04 a 11 de outubro para que as redes municipais possam declarar interesse.

O objetivo do Governo Federal é investir, em 2020, R$ 54 milhões para implantação do projeto piloto em 54 escolas brasileiras. Por que não investir esse dinheiro nas escolas já existentes? Fica a indagação. De acordo com o projeto, cada unidade receberá R$ 1 milhão para investimento em infraestrutura e pagamento de pessoal.  Até 2023 seriam 216 unidades beneficiadas.

Oficialmente, o programa prevê a adesão voluntária das escolas, mas o Governo já declarou que a meta é que, em cada estado, duas escolas recebam o projeto de militarização. Enquanto isso, desde o início do ano os recursos da educação foram cortados em quase R$ 6 bilhões, comprometendo gravemente o funcionamento das universidades públicas e institutos federais e corte de bolsas de pesquisas.

O Orçamento Federal para 2020 prevê uma redução de 17% nos recursos totais do MEC e uma redução de 54% nos recursos destinados ao apoio à infraestrutura para a educação básica, atingindo a construção de novas creches e comprometendo metas do Plano Nacional de Educação, que prevê até 2024 que 54% das crianças de até 3 anos e 11 meses estejam matriculadas em creches. Em 2018, esse percentual era de 35,8$, segundo o Movimento Todos pela Educação.

São exatas 1.085 obras de creches e pré-escola paradas em todo o Brasil. Um terço das crianças de 0 a 3 anos mais pobres está fora da creche por falta de vaga, segundo o IBGE. É no mínimo contraditório falar em investimentos em militarização, quando se tem uma demanda necessitando ser urgentemente atendida.

Em recente entrevista ao G1, o Nobel de Economia James Heckman declarou, após programa implantado na pequena cidade de Ypslanti, no Estado do Michigan, nos Estados Unidos, que investir em educação para a primeira infância é a melhor 'estratégia anticrime'. “O maior retorno para cada dólar investido em todos eles é a redução de crimes e a criação de um ambiente encorajador para as crianças”, observou ele, completando: "Nós olhamos não para o QI, mas para as habilidades sociais e emocionais que os participantes demonstraram em etapas seguintes da vida e vimos que o programa era, na verdade, muito mais bem sucedido do que as pessoas achavam. Constatamos que os participantes tinham mais probabilidade de estarem empregados e tinham muito menos chance de ter cometido crimes".