Mulheres do PT defendem Dilma e criticam Quaquá

Washington Quaquá, um dos vice-presidentes do PT, disse que a ex-presidenta Dilma Rousseff não tem mais "relevância política"

Foto: Montagem pensarpiauíA gigante Dilma e o minúsculo Quá Quá
A gigante Dilma e o minúsculo  Quaquá 

A Secretaria Nacional de Mulheres do PT emitiu uma nota nesta quinta-feira (30) em defesa da ex-presidenta Dilma Rousseff um dia após Washington Quaquá, um dos vice-presidentes do partido, dizer que a ex-mandatária perdeu relevância eleitoral. Para a secretaria, o argumento é usado para “obstaculizar a participação de mulheres na política”.

“A Secretaria Nacional de Mulheres do PT reforça o papel e a relevância da presidenta Dilma Rousseff dentro e fora do partido. O Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras se orgulha de ter eleito a primeira presidenta na história do país que foi vítima de um golpe misógino, machista e anti-democrático”, diz a nota.

“Dilma cumpriu uma tarefa árdua na defesa dos direitos da classe trabalhadora, na denúncia da ascensão do fascismo, em uma conjuntura de duros ataques contra a sua honra, a sua pessoa e ao próprio partido. Dilma foi brutalmente atacada em todas as esferas, pública e privada, como nenhum outro homem público do cenário político brasileiro, em qualquer espectro ideológico”, afirmam.

As mulheres do PT ainda apontam que a “régua” usada para dizer que Dilma é irrelevante não é usada para homens da legenda e apontam que o argumento da “irrelevância” é historicamente usado para cercear a participação feminina na política.

“‘Relevância eleitoral” também é um artifício comumente utilizado para obstaculizar a participação de mulheres na política – um espaço ainda masculino, branco e cisheteronormativo. Por isso, nós, mulheres do PT, batalhamos diuturnamente contra a violência política de gênero para garantir que elas ocupem espaços de poder – dentro e fora do partido”, afirmam. “Perpetuar os ataques que Dilma sofre desde 2015 na sociedade e trazer para dentro do partido não contribui com a luta das mulheres”, acrescentam.

Além da Secretaria Nacional, a nota é assinada pelas respectivas instâncias de todos os diretórios estaduais. A declaração de Quaquá sobre Dilma já havia sido rebatida pela presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que cobrou respeito à ex-presidenta.

A Fórum questionou Quaquá pela declaração. “Eu disse no contexto da conversa com o jornalista, que perguntou se Dilma teria uma papel na campanha do Lula. Eu disse que não vejo motivo, porque ela não tem relevância eleitoral“, explicou. “De resto, fica por conta de quem quer fazer polêmica”, completou.

Confira na íntegra a nota publicada pela Secretaria de Mulheres do PT:

A Secretaria Nacional de Mulheres do PT reforça o papel e a relevância da presidenta Dilma Rousseff dentro e fora do partido. O Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras se orgulha de ter eleito a primeira presidenta na história do país que foi vítima de um golpe misógino, machista e anti-democrático. Assim como tantas mulheres na história do PT, figura pública ou não, Dilma cumpriu uma tarefa árdua na defesa dos direitos da classe trabalhadora, na denúncia da ascensão do fascismo, em uma conjuntura de duros ataques contra a sua honra, a sua pessoa e ao próprio partido. Dilma foi brutalmente atacada em todas as esferas, pública e privada, como nenhum outro homem público do cenário político brasileiro, em qualquer espectro ideológico.

Cabe aqui também fazer um debate sobre a régua em que se mede a relevância de um quadro político, que não é apenas o resultado eleitoral. Se assim o fosse, a “irrelevância eleitoral” de Dilma, que foi eleita duas vezes presidenta, obteve 15% dos votos ao senado em Minas Gerais, seria a mesma que outros quadros petistas homens, historicamente importantes, que obtiveram a mesma faixa de votação que ela, ou até menos, no mesmo ano, em seus respectivos estados – e sobre cujas cabeças não pesou o fardo de ‘irrelevantes’.

A trajetória da presidenta Dilma é uma referência histórica para as mulheres progressistas em todo país, portanto possui, além de muito valor eleitoral e quantitativo, um valor  intangível. Quantas mulheres, inspiradas pela força de Dilma em seguir na luta por democracia, mesmo diante da ascensão da direita e sob tantos ataques, decidiram e optaram por sair candidatas? Qual o papel, no fato dela ter sido primeira mulher presidenta e vítima dos ataques misóginos e machistas da extrema direita, escancarando o caráter do golpe, na mobilização de milhões de mulheres nos protestos do EleNão?

Outro aspecto a se considerar é que “relevância eleitoral” também é um artifício comumente utilizado para obstaculizar a participação de mulheres na política – um espaço ainda masculino, branco e cisheteronormativo. Por isso, nós, mulheres do PT, batalhamos diuturnamente contra a violência política de gênero para garantir que elas ocupem espaços de poder – dentro e fora do partido. Perpetuar os ataques que Dilma sofre desde 2015 na sociedade e trazer para dentro do partido não contribui com a luta das mulheres.

Importante que os debates sobre viabilidade eleitoral sejam feitos coletivamente, nos espaços democráticos garantidos pelo estatuto, e não de forma arbitrária, silenciando e invisibilizando a trajetória de nenhuma mulher, tampouco da envergadura de Dilma, para justificar se ela foi ou não foi para um evento. Relevância eleitoral não é um dom, um presente ou apenas ponto na pesquisa, ela é fruto de luta, trabalho, trajetória, organização partidária e social. Não se pode dizer que a presidenta Dilma não possui nenhum desses atributos

Por fim, a Secretaria Nacional de Mulheres do PT e as secretarias estaduais do PT em todo país entendem que todas as mulheres dispostas a enfrentar o governo Bolsonaro e lutar por justiça social possuem relevância eleitoral  e, por meio do projeto Elas Por Elas, trabalharemos arduamente por mais mulheres na política com Lula presidente em 2022.