Ministro brasileiro e filha de Silvio Santos confraternizam com foragido da Justiça

O ex-jogador Rivaldo também estava presente no evento

Foto: Montagem pensarpiauíMinistro com foragido da Justiça
Ministro com foragido da Justiça

Metrópoles - O ministro das Comunicações, Fábio Faria, e o ex-jogador de futebol Rivaldo participaram de evento nos Estados Unidos com o blogueiro foragido da Justiça Allan dos Santos. Na última sexta-feira (7/1), Santos subiu ao palco em evento de uma igreja evangélica brasileira em Orlando, na Flórida, onde falou ao lado de personalidades que incluíram pastores, cantores e Fábio Faria.

As fotos dos dois tanto no evento religioso quanto em um jantar de confraternização que ocorreu posteriormente foram postadas pelos presentes nas redes sociais. O encontro reuniu ainda pastores famosos, como André Valadão, da Igreja Batista Lagoinha.

O encontro religioso ocorreu na sede de Orlando da Igreja Lagoinha e o material de divulgação trazia a informação da presença do ministro, mas não citava Allan dos Santos.

Faria discursou sozinho, como um dos destaques. Patrícia Abravanel Faria, apresentadora de TV, filha de Silvio Santos e esposa do ministro das Comunicações, também aparece nas fotos e vídeos.

Pedido de prisão

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu pedido da Polícia Federal e determinou a prisão de Allan dos Santos, no início de outubro do ano passado. O militante, que era dono do extinto site Terça Livre, é investigado em dois inquéritos na Suprema Corte: um sobre a propagação de fake news e outro sobre participação em milícias digitais que ameaçariam a democracia brasileira.

Na decisão sobre a prisão, o ministro do Supremo afirma que existe “uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político absolutamente semelhantes àqueles identificados no Inquérito 4.781, com a nítida finalidade de atentar contra a Democracia e o Estado de Direito”.

Ainda segundo Moraes, medidas decretadas anteriormente foram inúteis, pois “o investigado continua a incorrer nas mesmas condutas investigadas, ou seja, permanece a divulgar conteúdo criminoso, por meio de redes sociais, com objetivo de atacar integrantes de instituições públicas, desacreditar o processo eleitoral brasileiro, reforçar o discurso de polarização; gerar animosidade dentro da própria sociedade brasileira, promovendo o descrédito dos poderes da república, além de outros crimes, e com a finalidade principal de arrecadar valores”.

Demora no processo

Apesar de Moraes ter determinado também a inclusão de Allan dos Santos na lista de procurados da Interpol e sua extradição, o processo, que depende da atuação do Ministério da Justiça brasileiro, se arrasta.

O Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), órgão do Ministério da Justiça que pediu a extradição do ativista bolsonarista Allan dos Santos, está sem um chefe formal desde o início de novembro do ano passado, quando o governo federal exonerou a delegada Silvia Amelia da chefia do DRCI por ter encaminhado o pedido de extradição do militante.

O governo brasileiro nega estar dificultando o processo de extradição.

Atualização

Após a divulgação desta notícia, o ministro Fábio Faria divulgou nota dizendo o seguinte: “Fui convidado para discursar num evento de um pastor de uma igreja que eu e minha família frequentamos quando estamos em Orlando. Não havia nenhuma indicação que entre os presentes estaria alguém com problemas com a Justiça brasileira. Se eu soubesse que ele iria, eu não teria comparecido”.