Informalidade atinge maior nível no Brasil desde 2016

Piauí registrou recorde de subutilização da força de trabalho, segundo IBGE

Foto: Agência IBGE NotíciasDo acréscimo de 1,819 milhão de ocupados em 2019, um milhão estavam na informalidade
Do acréscimo de 1,819 milhão de ocupados em 2019, um milhão estavam na informalidade

A taxa média de desocupação em 2019 teve queda em 16 estados do país, acompanhando a média nacional, que caiu de 12,3% em 2018 para 11,9% no ano passado. As maiores taxas ficaram no Amapá (17,4%) e na Bahia (17,2%), enquanto as menores foram registradas em Santa Catarina (6,1%) e nos estados de Rondônia, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, com 8% na média anual. 

Apesar da queda no desemprego, em 2019, a taxa de informalidade – soma dos trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregador sem CNPJ, conta própria sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar – atingiu seu maior nível desde 2016 no Brasil (41,1%) e também em 20 estados. As maiores taxas médias anuais foram registradas no Pará (62,4%), Maranhão (60,5%) e Piauí (59,5%) e as menores em Santa Catarina (27,3%),  Distrito Federal (29,6%) e São Paulo (32%).

O Piauí manteve a taxa de desocupação estável, com percentual de 12,8%, mas praticamente o dobro do verificado em 2012, quando foi de 6,9%. A região metropolitana da Grande Teresina por sua vez apresentou seu maior recorde desde 2012, com taxa de desocupação de 15,1%. A capital também registra seu maior percentual na série 2010-2019, com índice de 14,2%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE.

Foto: IBGETaxa de desocupação 2012-2019
Taxa de desocupação 2012-2019

Foto: IBGETaxa de desocupação capitais
Taxa de desocupação capitais

No 4º trimestre de 2019, a taxa composta de subutilização da força de trabalho (percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação a força de trabalho ampliada) foi de 23,0%. O Piauí (42,0%) apresentou a estimativa mais alta, seguido pela Bahia (39,0%) e Maranhão (38,2%). Por outro lado, os estados onde foram observadas as menores taxas foram: Santa Catarina (10,2%), Mato Grosso (12,9%) e Rio Grande do Sul (14,6%).

Foto: IBGESubutilização
Subutilização

O percentual de empregados com carteira de trabalho assinada era de 74,0% do total de empregados no setor privado do país. Os maiores percentuais estavam em Santa Catarina (87,7%), Paraná (81,2%) e Rio Grande do Sul (80,7%) e os menores, no Maranhão (47,2%), Piauí (52,5%) e Pará (52,6%), portanto, a penúltima colocação com menor percentual de empregados com carteira de trabalho assinada.

O percentual da população ocupada do país trabalhando por conta própria era de 26,0%. As unidades da federação com os maiores percentuais foram Amapá (37,3%), Pará (35,9%) e Amazonas (32,6%) e os menores estavam no Distrito Federal (19,4%), Santa Catarina (22,5%) e São Paulo (21,4%). O Piauí tem a sexta colocação, com 32%.

A analista da pesquisa, Adriana Beringuy, explica que há uma relação entre o aumento da população empregada no país e o aumento da informalidade. “Mesmo com a queda no desemprego, em vários estados a gente observa que a taxa de informalidade é superior ao crescimento da população ocupada. No Brasil, do acréscimo de 1,819 milhão de pessoas ocupadas, um milhão é de pessoas na condição de trabalhador informal”, explica Adriana. “Em praticamente todo o país, quem tem sustentado o crescimento da ocupação é a informalidade”, observa.

DADOS PIAUÍ 

Informalidade 59,5%

Subutilização 42%

Carteira assinada 52,5%

Conta própria 32%

Ocupados (em milhares)

1.293

Carteira assinada (em milhares) – série 2012-2019

Piauí 242 275 278 270 253 227 239 230

Sem carteira assinada (em milhares) - série 2012-2019

Piauí 228 220 247 241 226 217 202 214

Por conta própria (em 1000) - série 2012-2019

Piauí 417 397 396 419 399 376 394 410

Indústria Geral (em 1000) - série 2012-2019

Piauí 97 99 93 92 83 79 86 87

Construção (em 1000) - série 2012-2019

Piauí 118 123 132 128 121 102 99 93

Transporte, Correio e Armazenagem (em milhares) - série 2012-2019

Piauí 38 40 42 39 40 42 40 41

Alojamento e alimentação (em 1000) - série 2012-2019

Piauí 55 65 71 72 72 72 78 73 - série 2012-2019

Informação, comunicação e ativ. financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas – não houve variação

Administração pública, Seguridade social, Educação (pública e privada), Saúde humana (pública e privada) e Serviços sociais (em milhares) - série 2012-2019

Piauí 222 226 244 234 232 240 238 255