Eleições 2022: Jovens falam sobre expectativa do primeiro voto

Cadastros de jovens para tirar o título de eleitor bateu recorde no Brasil neste ano

Foto: Reprodução/arquivo pessoalPedro Victor, de 17 anos, e Ianna de Araújo, de 16 anos
Pedro Victor, de 17 anos, e Ianna de Araújo, de 16 anos

É um direito mas não é um dever. No Brasil, onde o voto é obrigatório, jovens de 16 a 18 anos podem se alistar para manifestarem sua vontade nas urnas — mas de forma facultativa. Em tempos de polarização e um cenário eleitoral que se desenha para uma disputa acirrada, a mobilização para que essa faixa etária também vote passou a ser bastante enfatizada.

O Brasil registrou um recorde no número de cadastros de adolescentes, entre 15 e 18 anos, que tiraram o título de eleitor no primeiro trimestre do ano. Mais de 1 milhão de novos eleitores na faixa etária foram cadastrados no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O TSE tem investido em tecnologia para ajudar nesse processo. Por um lado, o alistamento eleitoral está mais simples e pode ser feito de forma online, em um processo que leva menos de 10 minutos. Por outro, a comunicação também foi pensada para alcançar diretamente a esse público. O órgão criou uma campanha chamada #BoraVotar que usou de hashtags e mobilizou diretamente em redes sociais, com uma linguagem segmentada e fácil. 

Nos últimos meses, artistas, influenciadores digitais e outros formadores de opinião também passaram a incentivar a participação dos jovens.

A última pesquisa divulgada pelo instituto PoderData, sobre a preferência do eleitorado jovem — entre 16 e 24 anos — era de 51% para Lula (PT), frente a 29% para o atual presidente Jair Bolsonaro (PL). Os dados da pesquisa mostraram que os mais jovens tendem a defender pautas mais progressistas, como sustentabilidade e meio ambiente, diversidade e inclusão, além de algumas pautas sociais de forma difusa.

Sobre o assunto, o pensarpiauí conversou com Pedro Victor, de 17 anos, teresinense, estudante e atual vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas-UBES.

Foto: Reprodução/arquivo pessoalPedro Victor em mobilização da UJS
Pedro Victor em mobilização da UJS

Confira o bate-papo:

pensarpiauí- O TSE registrou recorde de cadastramento de jovens para tirarem o título de eleitor. Você acha que o voto jovem será o diferencial desta eleição?

Pedro Victor- Com certeza, pelo fato de estarmos passando por um período histórico do nosso país, onde a juventude está sendo afetada diretamente, desde a educação até a fome. A juventude é protagonista e vai dar um novo rumo para esse país! 

pensarpiauí- O que lhe motiva a votar mesmo que na sua idade o voto não seja obrigatório?

Pedro Victor- Porque o Brasil está um caos. Segue desgovernado por uma bancada fascista e nefasta, que certamente ficará na lata de lixo da história. Um governo que em meio a pandemia recusou a vacina diversas vezes, que dissemina ódio gratuito contra a população Lgbtqia+, contra a população negra e contra a mulheres. E isso é gravíssimo!

Para além, o desmonte da educação que Bolsonaro está fazendo é absurdo, chegamos ao ponto de uma CPI do MEC ser proposta e, por aqui, lutaremos pela sua efetivação. As universidades e institutos federais estão sucateados, sem ter como fazerem as manutenções por conta dos cortes bilionários feitos pelo governo federal, sem contar na Educação Básica. O novo Ensino Médio que propõe uma formação barata para uma mão de obra barata, milhares de jovens no subemprego e se evadindo das escolas e universidades.

E o Bolsonaro fala é em fazer armas, isso é típico de um governo genocida, corrupto e que não está nem aí para o povo e suas demandas. O Brasil voltou para o mapa da fome e se resume nisso, FOME E MISÉRIA. Para mudar esse cenário precisamos derrotar Bolsonaro e todos aqueles que com ele estão.

pensarpiauí- Você acha que a juventude de agora está mais conectada com a política e saberá o que cobrar dos governantes no futuro? Ou pode ser apenas a empolgação sobre a eleição acirrada deste ano?

Pedro Victor- Acho que os jovens estão cada vez mais tendo a noção de que tudo é política e tudo se vem através da política. Estão se organizando dentro de suas escolas através dos grêmios estudantis, e dentro das universidades através dos DCes, por exemplo, se organizando nas mais diversas entidades, coletivos e organizações de militâncias. Eu, por exemplo, sou militante da maior juventude organizada do Piauí, do Brasil e da América Latina, a União da Juventude Socialista-UJS, que por sinal conquistou o voto aos 16 anos.

pensarpiauí- O que você espera do resultado das eleições presidenciais?

Pedro Victor- Eu espero muito ansioso pela queda de Bolsonaro, porque essa queda vai representar uma derrota representativa do fascismo, do ódio, do preconceito, da falta de humanidade e do genocídio. Estou pronto pra eleger Luís Inácio da Silva a presidente do Brasil novamente, junto com a maior bancada de esquerda, progressista, negra, LGBTQIA+, feminista da história do Brasil.

Angical do Piauí 

O pensarpiauí teve o mesmo bate-papo com Ianna de Araújo, de 16 anos, estudante e militante da Central dos Movimentos Populares (CMP/Juventude).

Ianna tirou seu título e ainda incentivou e ajudou mais de 30 jovens angicalenses a tirarem seus títulos de eleitor.

Foto: Reprodução/arquivo pessoalIanna acompanhada de outras jovens que ela incentivou a tirar o título de eleitor
Ianna acompanhada de outras jovens que ela incentivou a tirar o título de eleitor

A jovem disse que incentivou outros jovens por achar importante a juventude se envolver no processo eleitoral. “Incentivei também pelo incômodo do rumo que o país está tomando na atual gestão. Me dispus e mobilizei-os  a tirarem o título para podermos reivindicar melhorias para a juventude brasileira”, destacou.

Confira a entrevista: 

pensarpiauí- O TSE registrou recorde de cadastramento de jovens para tirarem o título de eleitor. Você acha que o voto jovem será o diferencial desta eleição?

Ianna- Sim. Pois além de sermos a maioria, podemos mudar o rumo da história dentro do contexto político do nosso país. Nós jovens somos a voz de nossos pais, tios, irmãos mais novos e até mesmo de outros jovens leigos de buscar seus direitos enquanto cidadãos.

pensarpiauí- O que lhe motiva a votar mesmo que na sua idade o voto não seja obrigatório?

Ianna- Somos jovens cheios de desejos: desejos de mudanças, de oportunidades de trabalho, lazer, cultura, educação e tudo que nos foi tirado nestes quatro anos até chegar a nossa vez de votar e mostrar que podemos sim mudar o rumo da história política do país com o voto consciente.

pensarpiauí- Você acha que a juventude de agora está mais conectada com a política e saberá o que cobrar dos governantes no futuro? Ou pode ser apenas a empolgação sobre a eleição acirrada deste ano?

Ianna- Acredito que os dois sentidos são relevantes, pois saberemos cobrar e buscar junto aos governantes melhorias para a juventude de modo geral. Pela empolgação também, pois somos muito competitivos.

pensarpiauí- O que você espera do resultado das eleições presidenciais?

Ianna- Espero que os jovens, assim como eu, saibam que tem nas mãos uma decisão de escolha futura e, por este motivo, devem ser cautelosos e critériosos na seleção do candidato à presidência da república que possa beneficiar nosso país como um todo. No momento para mim é o Lula!!

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