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Acuado, Bolsonaro quer atrair multidão de fãs em SP para postergar a cadeia

Ele quer imagens de multidão para vender, nas redes, a ideia de que o povo está a seu lado

Foto: ReproduçãoBolsonaro
Bolsonaro

Por Leonardo Sakamoto, jornalista, no facebook

Com o cerco se fechando por causa da investigação da tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro resolveu fazer uma demonstração de força, daqui a duas semanas, em São Paulo, chamando seus apoiadores. Quer imagens de multidão para vender, nas redes, a ideia de que o povo está a seu lado. Tática manjada, que funciona com quem já acredita nele, que busca pressionar aliados a sair em defesa do “mito”. E, quiçá, “encarecer” a cadeia.

Jair gravou um vídeo convocando os bolsonaristas radicais para um ato “em defesa do nosso Estado Democrático de Direito”. Um cinismo exemplar, uma vez ele tentou atropelar a democracia com a ajuda de militares, políticos aliados, empresários golpistas e uma horda de vândalos.

“Mais do que discurso, uma fotografia de todos vocês”, desenhou ele para não deixar margem de dúvida.

Pediu para que todos compareçam de verde e amarelo (reforçando o sequestro das cores nacionais pela extrema direita) e para que não venham com faixas criticando ninguém (pois sabe que seus fãs pediriam o linchamento do STF, o que seria cutucar Alexandre de Moraes com vara curta).

E para que a foto? “Para mostrarmos para o Brasil e para o mundo, a nossa união, as nossas preocupações”, disse no vídeo. Ou seja, para indicar que o grupo sob sua influência segue firme forte, apesar da quantidade de chorume revirada pelas investigações.

O que, ele avalia, vai pressionar deputados e senadores no Congresso Nacional para tentarem colocar um cabresto na PF, na PGR e no STF ou talvez avançando com a estapafúrdia proposta de anistia.

A última vez que ele conclamou os seguidores para gerar uma grande foto como essa foi no 7 de setembro de 2022, durante as comemorações do Bicentenário da Independência em Brasília e no Rio - sequestradas pelo bolsonarismo para sua campanha à reeleição.

Ele vai usar as imagens para encarecer o custo de sua condenação e prisão, talvez vendendo a ideia de que haverá uma guerra civil se for preso. Não vai, principalmente se a economia estiver melhor no momento da pronúncia da sentença em comparação ao final do seu mandato.

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