A imprensa brasileira é partidarizada, venal

A viagem de Lula à Europa mereceu 36 segundos na edição de quinta-feira do JN

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Jornais

 

Por Eliara Santana, no facebook 

Esta abaixo é a capa da edição de hoje, 21 de novembro, do jornal espanhol El País. A matéria/entrevista com o ex-presidente Lula ocupa duas páginas do jornal, além da chamada de capa, e a repercussão é um balanço da viagem do ex-presidente pela Europa, com uma grande agenda.

Ao lado, vocês também podem ver as capas dos principais jornais brasileiros – Folha de S. Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo. Os três maiores jornais do país trazem em destaque as prévias do PSDB – que não é o maior partido do país – e nada sobre a viagem do ex-presidente Lula à Europa, com uma importante agenda internacional no momento em que o Brasil se tornou piada no exterior por causa da ingerência e da ignorância estúpida de Jair Bolsonaro. Como já dito aqui e por vários analistas e comentaristas, a agenda de Lula no continente europeu foi uma agenda de chefe de Estado. Mas isso não merece nenhum destaque, isso não é tema relevante para a imprensa brasileira, isso não é assunto, portanto, não será notícia.

Para o Estadão, por exemplo, até o personagem Bob Esponja merece destaque. O ex-presidente que tirou milhões da miséria no Brasil e que é recebido com honras de chefe de Estado pelo presidente francês Emmanuel Macron não merece.

Na edição de ontem, dia 20, o Jornal Nacional fez uma matéria de três minutos sobre as prévias do PSDB, que acontecem hoje, dia 21. Três minutos para as prévias de um partido que NÃO é o maior do país. A reportagem mostrou os candidatos que disputam quem será o indicado para concorrer à presidência da República no ano que vem, com ótimas imagens de cada um sendo exibidas. Além disso, a reportagem ouviu os candidatos, e cada um teve pouco mais de 15 segundos de fala direta para falar de suas propostas. Todos os detalhes para as prévias foram mostrados, parecia até eleição.

Apenas para lembrar e comparar, a viagem de Lula pela Europa, mais especificamente o encontro dele com o presidente francês Macron, mereceu 36 segundos na edição de quinta-feira do JN, e não houve nenhuma fala direta do ex-presidente.

De fato, os critérios que guiam a construção da notícia na imprensa corporativa brasileira são mesmo bem nebulosos.

Foto: DivulgaçãoEl País
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