80% da população desconfiam de Bolsonaro

Trata-se de um passivo político altíssimo, com significativo poder de corrosão da popularidade de Bolsonaro, que ainda é alta, porém, com reveses.

Foto: google imagensPresidente Jair Bolsonaro não tem a confiança da população
Presidente Jair Bolsonaro não tem a confiança da população

Se os números da Veja/PSB Pesquisa deram motivos para comemorações da extrema-direita – combinados bolsonarismo e lavajatismo –, a amostragem do Datafolha, divulgada neste sábado (07-12), desenha um cenário preocupante às pretensões políticas do presidente Jair Bolsonaro. Sobretudo o dado referente à desconfiança de 80% da população em relação ao atual inquilino do Palácio do Planalto. Esse resultado, de fato, é assustador para o presidente: 80% dos brasileiros dizem ao menos desconfiar de suas declarações.

Trata-se de um passivo político altíssimo, com significativo poder de corrosão da popularidade de Bolsonaro, que ainda é alta, porém, com importantes reveses, já que ele tem apenas 11 meses e oito dias de governo, e um enorme intervalo de tempo de quase três anos até as eleições de outubro de 2022. É um balão inflado todos os dias, no Jornal Nacional, nas grandes redes de TV aberta e redes sociais, no entanto, com muitas chances de esvaziar, cedo ou tarde, rápida ou lentamente. E essa desconfiança de 80% fala por si só.

Esmiuçando as informações trazidas pelo Datafolha, 43% disseram que nunca confiam no presidente, muito menos em suas palavras, ora vazias, ora imprecisas, ora eivadas de preconceito, ódio e ignorância. É uma margem alta demais, em se tratando de reprovação e rejeição a um presidente no exercício do cargo. Apenas 19% declararam confiar sempre em Bolsonaro, ou seja, é mais ou menos o chamado núcleo duro do bolsonarismo, aquela parcela da população que sempre foi de extrema-direita e com inspirações, digamos, antidemocráticas.

Ele não condiz com o cargo

A rejeição a Bolsonaro se mede ainda pelo percentual do eleitorado que considera que o presidente tem comportamentos que não condizem com o cargo que ocupa. A maioria o considera assim. Isso representa 67% dos brasileiros – entre 14%, que sempre; 28%, na maioria das ocasiões; e 25%, na minoria. Pasmem! Por tanto, o presidente, seu grupo político, seus apoiadores e seguidores não devem ter tido muito tempo para comemorar os resultados da pesquisa de intenção de voto para presidente, divulgada no dia anterior.

O mais grave nos percentuais do Datafolha é que o nível de desaprovação foi alcançado em mínimo tempo, o suficiente para desmoronar o grande capital político de Bolsonaro, amealhado com a vitória eleitoral no segundo turno das eleições de 2018. A essa altura do campeonato, milhões e milhões de eleitores estão arrependidos de ter votado nele, levados pelo antipetismo ou pela manipulação eleitoral que combinou fatores como a influência de uma máquina de fake news sem precedentes na história do País.

Quando a população começar a sentir na carne, literalmente, os efeitos das reformas ultraliberais – trabalhista e previdenciária já aprovadas no Congresso Nacional –, esse capital político terá dificuldades de evitar sua desmaterialização. Somadas ao discurso do presidente, de ataque às instituições, ao estado estado democrático de direito, à liberdade de expressão, etc., essas consequências sociais, inclusive econômicas e políticas poderão resultar em infortúnio para o governo, Bolsonaro e seu clã.