Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Acilino Madeira

Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Política bolsonarista pode levar Brasil ao isolamento com a vitória dos Democratas (EUA)

Foto: El PaísBolsonarismo
Bolsonarismo

 

OBS: artigo escrito na sexta-feira, antes de Joe Biden ser considerado presidente eleito dos EUA 

Desde que Bolsonaro assumiu a presidência da República que, por uma série de fatores, as forças reacionárias emergiram de seus esconderijos e, em vestes ditas conservadoras, passaram a imitar o que de mais nefasto a direita republicana dos EUA produziu nos últimos tempos: Donald Trump e o trumpismo.

A grande imprensa, as agências de notícias e os institutos de pesquisas internacionais  já dão como quase certa a retirada de Trump da vida política, pois pelas projeções e cálculos estatísticos, a cada hora se chega mais perto da evidência de que Joe Biden ganhará as eleições americanas de 2020, pelo partido Democrata.

Contudo, pelas análises políticas mais abalizadas no mundo, Donald Trump perderá as eleições e envidará todos os esforços possíveis para judicializar o resultado, pondo em dúvida a sua lisura e institucionalidade. Os mesmos analistas não têm bola de cristal para anunciar se ele logrará êxito nas barras dos tribunais estaduais e até mesmo na Suprema Corte americana.

A magnitude da polaridade ilustrada pelos números e percentuais da disputa entre republicanos e democratas (empate técnico) revela que Trump poderá ser vencido, mas deixará como legado o trumpismo.

Economicamente o trumpismo vai de encontro às novas configurações da vigente geopolítica internacional, principalmente pela falta de empatia com as pautas ambientais. A tropa de choque do trumpismo ou a sua vanguarda é composta pelos “losers” (perdedores em bom português) em razão do ocorrido desmonte dos resquícios do fordismo americano. As grandes corporações se fragmentaram com a revolução tecnológica dos anos 1980/1990, e novas empresas ganharam protagonismo nos anos 2000/2010 (Apple, Microsoft, Nike, Facebook, Twiter, WhatsApp, Fintecs e Startups promissoras), deixando a classe média, branca e sem curso superior de fora do “american dream”, também sequiosa do renascimento do pensamento “american first” às custas de muito racismo e intolerâncias variadas.

Mas, o trumpismo é uma força adormecida no seio da sociedade americana conservadora. Em “A Corrosão do Caráter (1998)”, Richard Sennett anuncia e traça um perfil psicológico do que viria a ser a natureza dos adeptos de Donald Trump, o grande catalisador da revolução anticivilizatória e anticientífica, e que tem como base o negacionismo ampliado e a religiosidade cristã como plataforma segura para a prosperidade sem necessidade de erudição e de cultura livre.

O processo de imitação do trupismo pelo bolsonarismo, aqui no Brasil, tem produzido um atraso político-econômico reforçado por uma descabida introdução da pauta de costume ensandecida pelos descontentes com os rumos que o país tomou. Principalmente com o fim da ditadura militar e desmantelamento da política de privilégios totalizantes mitigada pelas políticas públicas dos governos de centro-esquerda nos anos pós-Constituição de 1988.

A bem da verdade, fica nos EUA o trumpismo “root” só que sem institucionalidade política representativa. E no Brasil, como fica o bolsonarismo a partir de uma provável vitória de Joe Biden e Kamala Harris?

Para a ala reacionária bolsonarista tupiniquim, nada muda. Para os analistas mais realistas, os prováveis ganhadores democratas tentaram se alinhar aos europeus nas pautas mais urgentes e emergentes de condução da agenda da geopolítica internacional, em novos moldes, podendo o Brasil ficar no isolamento até mesmo entre os vizinhos do Sul da América Latina (Argentina, Bolívia e Chile).

No ano de centenário de nascimento de Celso Furtado, fica a lição do mestre estruturalista sobre o desenvolvimento econômico endógeno brasileiro.

Verdade que na contramão do pensamento de Furtado, os bolsonaristas se cobrem com a bandeira americana e exaltam as truculências de Donald Trump, negando por completo quaisquer possibilidades de criatividade na economia brasileira. No[AAMN1]  Brasil, as possibilidades de desenvolvimento econômico, com Bolsonaro à frente do Executivo nacional continuam muito exógenas e com muitas externalidades negativas a perder de vista.

 

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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