Jornalista

Sérgio Fontenele

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Confirmado o golpe, o impeachment de Dilma é uma farsa

Foto: google imagemO golpista Temer admitiu o golpe
O golpista Temer admitiu o golpe

Caiu por terra a narrativa histórica de que houve um “impeachment constitucional” da ex-presidente Dilma Rousseff, deposta por terem atribuído pedaladas fiscais ao suposto cometimento de um crime de responsabilidade, que nunca aconteceu. Prevalece e prevalecerá, para a história, sempre, a narrativa de que, na verdade, houve um golpe de estado travestido de processo parlamentar, perpetrado pelo Congresso Nacional, por vários partidos políticos oportunistas e pelo então vice-presidente Michel Temer, um dos golpistas-mor.

Temer, embora negue, foi um dos protagonistas do golpe, alguém que, consumido pela vaidade, inveja e ambição sem limites, conspirou dia e noite para derrubar Dilma e assumir o cargo de presidente da República, algo que ele sempre sonhou, mas jamais teria realizado pelo voto direto da população brasileira. Temer entrou para a história como um dos piores chefes do Executivo, o mais reprovado e impopular, talvez o mais corrupto, sofrendo vários pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados.

Sua conduta é tão questionável – para dizer o mínimo – e suas intenções golpistas quedaram tão evidentes, que ele admitiu ter sido golpe o impeachment de Dilma Rousseff, com explícita e indecorosa naturalidade, durante entrevista para o programa Roda Viva, da TV Cultura. Na sequência, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), completou o serviço, e entregou numa bandeja de prata a cabeça de Temer, ao declarar que o ex-presidente “operou” sim o impeachment da petista.

Quebra-cabeças macabro

Então, temos no mínimo dois personagens centrais da política brasileira, que acrescentaram peças importantes ao quebra-cabeças da operacionalização ou conspiração do golpe, ratificando o que, na verdade, era de domínio público, da desconfiança generalizada de grande parte da população. Juristas de peso, renomados, respeitados, sérios, legalistas têm denunciado os crimes, desde o início, em 2014, inclusive de corrupção, em nome do combate à corrupção, e arbitrariedades cometidas pela Operação Lava-Jato e suas delações.

E o papel da força-tarefa foi essencial, para além das suspeitas e acusações de promover uma perseguição inédita contra o ex-presidente da República mais popular e um dos mais bem sucedidos do País, perpetrar seus atos evidentemente ilícitos, flagrados nas trocas de mensagens pelo aplicativo Telegram. A perseguição político-partidária, com um tanto de viés ideológico talvez sem precentes, teria praticado, de forma obscena, inconstitucional, ilegal, pois rasgava o Código de Processo Legal, o chamado lawfare contra Lula.

A perseguição cruel e desumana contra o ex-presidente e o PT foi levada a cabo pela tal “República de Curitiba”, vitrine de um circo armado com a intensa parceira da grande mídia. Lava-Jato, Congresso Nacional, partidos, etc. agiram de forma concatenada, sinérgica e coordenada, tendo como pontas de lança o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), neto de Tancredo Neves, que a essas alturas já se revirou no caixão várias vezes. Foi um grande golpe na democracia e não há como negá-lo.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.