Doutor em Antropologia

Arnaldo Eugênio

Doutor em Antropologia

Este ano o povo poderá experimentar umas das eleições mais tumultuadas e violentas da história

Foto: PPEleições
Eleições

Em 2022, a população brasileira poderá experimentar umas das eleições mais tumultuadas e violentas da história. A ganância, a vaidade e a falta de desapego ao poder político levarão muitos ocupantes de cargos políticos às raias da loucura e do desespero, para se manterem ou hereditariar com parentes ou asseclas o mandato – governadores, senadores, deputados estaduais e federais.

O lamentável nesse jogo político, baseado em arranjos de conveniência, é que muitos eleitores – a maioria sendo analfabetos políticos – se digladiarão e se matarão em vão, defendendo ideologias descartáveis, negacionismos, discursos estéreis, propostas vazias, partidos de aluguel e a falsa esperança de se “fabricar” um salvador da pátria.

O cenário de acirramento será favorecido pela onda de fake news, o analfabetismo político do eleitorado, a midiatização e a aflição social (fome, miséria violência, desemprego etc) de milhares de brasileiros, manipulados pelo poder econômico e por uma sede de poder sem limites. É durante as eleições que os sonhos e desejos dos eleitores se misturam com os interesses individuais e a vontade de pilhar o erário de muitos candidatos partidários.

Na realidade nacional a disputa presidencial está polarizada entre um negacionista e um líder carismático (Max Weber) –, e pulverizada entre outros candidatos, não garantem um amplo e profundo debate sobre os principais problemas do Brasil. E, também, não há esse interesse na maior dos candidatos. Esse pensamento dará o tom em muitas realidades estaduais.

O problema é que os modus operandi da maioria dos candidatos majoritários e proporcionais, com base na ganância, na vaidade e na falsa de desapego ao poder político provocarão brigas políticas pelo fundo partidário, estimuladas, também, pelas alterações oportunistas da minirreforma política de 2021.

Vale ressaltar que as manobras políticas para se perpetuar nos mandatos começam no Congresso Nacional. Por exemplo, desde a promulgação da Constituição de 1988, nunca se teve, no Brasil, uma ampla, séria e profunda reforma política, visando os interesse da população. Na verdade, todas as minirreformas foram apenas formas de se servir da política para alcançar uma ascensão social e poder político.

Tudo leva a crer que a principal arma de uma possível guerra político-partidária nas eleições de 2022 será o cancelamento digital e o fake news, para atacar a imagem, a honra, a moral e destruir reputações. Até porque a maioria das propostas dos possíveis candidatos majoritários, tanto de situação quanto de oposição, e dos candidatos proporcionais não vão além de um Ctrl-C/Ctrl-V.

Numa sociedade de analfabetos políticos é fácil difundir algumas falácias sobre mudanças na relação da política com o povo, através de discursos vazios, e se eleger como “novo”. Bem como, é nítida a desconexão entre intenção e a proposta política dos candidatos, que servem apenas de retóricas e encenações políticas para ocupar o horário eleitoral com chorumelas partidárias requentadas.

Diante do acirramento nas disputas de vaidades, da ganância pelos recursos do fundo partidário e o apego ao mandato, em 2022, há possibilidades de termos eleições tumultuadas e violentas, além de caras e manipuláveis, com a intenção de se colocar suspeições no resultado, independente do vencedor.

Portanto, enquanto tivermos a maioria dos eleitores brasileiros como analfabetos políticos e a educação for para “passar no ENEM”, o país e os estados continuaram sendo governados e representados por políticos carreiristas e a hereditariedade nos mandatos eletivos.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS