Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Acilino Madeira

Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Brasil: "Navilouca" sem carta de navegação e com timoneiro esquizofrênico

Foto: SignificadosO Brasil é uma embarcação sem rumo
O Brasil é uma embarcação sem rumo

Sob a influência má da tríade: egoísmo, negacionismo e imobilismo; o Brasil vivencia tempos ruins e de esperança pouca por dias melhores. O país mais parece uma “navilouca” que perdeu todas as cartas e astrolábios em um mar de ondas revoltas, tendo como timoneiro um esquizofrênico ex-capitão de infantaria que não entende nada de navegação e, ainda mais, acompanhado de servis e ensandecidos marujos e ajudantes de falsas ordens.

A imagem descrita acima é uma narrativa sobre o governo Bolsonaro, agora pior mesmo é explicar como a condução do país foi entregue a esta malta de incompetentes, falsos nacionalistas e pregadores da desunião birrenta.

Nesta empreitada explicativa, é bom que se desmistifique que o Brasil não é e nunca foi um país de gente simples, ordeira e pacífica. Nosso sentido histórico de nação já nasceu corrompido pelos ideais do escravagismo, da exploração e concentração de renda e, da apropriação indébita e espoliação do Estado pelas elites dominantes de plantão.

As consequências sociais, políticas e econômicas foram sempre desastrosas. A população mais vulnerável sempre pagou a conta dos golpes e contragolpes gestados nos palácios governamentais ocupados por uma elite branca alienada da realidade nacional e também nas casernas de militares “quaresmentos” tão bem ilustrados pelo grande escritor Lima Barreto.

O Brasil sempre foi um país violento. E continua, em escala ampliada protegendo os interesses escusos de uma classe política, no mais das vezes, sem legitimidade democrática. Nossos grandes agentes econômicos são sempre gerentes de produções alheias. Um país com quase 70% da população composta de mestiços, ameríndios e afrodescendente, não justifica ter um congresso político formado por 90% de brancos e embranquecidos. Em termos macroeconômicos, 90% da população se constitui das classes média baixa e de pobres que nem merecem mais figurarem em faixas de estratificação social.

Em nosso pindorama que não é mais país do futuro, as ideologias sobrepõem-se as utopias. As ideologias sempre morrem quando contrariam extratos sociais sempre dispostos a empunhar a bandeira do separatismo.

O Brasil sempre teve uma franja social, que ao perceber qualquer possibilidade de perda de prestígio, se alvoroça e trama a tomada de poder em nome dos símbolos nacionais e do patriarcado de tradição ibérica. Desta feita, tal franja se ancorou no paradigma normatizador da condução dos interesses nacionais por um tipo ideal: homem branco, rico e heterossexual; em total desapreço à luta das mulheres, dos negros, dos indígenas e do público LGBT.

Em março de 2020, com a Covid-19 começando a se alastrar, as elites políticas e econômicas tupiniquins passaram a enxergar um contingente populacionais por elas nunca visto: os invisíveis sociais, ou melhor, pessoas normais que viviam fora da economia oficial e que deixaram de produzir seu sustento nas atividades informais interrompidas pela pandemia.

Com todas as mazelas que se possa apontar, os governos dos tucanos e dos petistas avançaram na convivência com os novos movimentos sociais. A luta feminista ganhou notoriedade, o movimento negro e dos indígenas se estruturou, ganhando nova musculatura com a demarcação de suas terras (reservas indígenas e de quilombolas), sem contar os avanços educacionais promovidos pelas políticas públicas de cotas sociais e raciais e também de segurança alimentar as famílias de baixa renda.

O resultado de tais políticas afirmativas amedrontou a franja que se sentiu abalada.  Nas eleições presidenciais de 2018, saiu vitoriosa a chapa de privilegiados composta por agentes econômicos ultraliberais, agentes políticos conservadores, evangélicos (neo) pentecostais, milicianos e militares saudosos dos tempos do AI-5 e da Lei de Segurança Nacional.

 O mercado político conservador e o mercado econômico liberal criaram o tipo-ideal de governante - Jair Messias Bolsonaro: egoísta, negacionista e imobilista: que conduz a navilouca sem carta de navegação.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.