Doutor em Antropologia

Arnaldo Eugênio

Doutor em Antropologia

As eleições municipais não definem a sucessão presidencial, mas apontam influências

Foto: Google ImagensImportante, mas não decisiva
Importante, mas não decisiva

No Brasil, em 2020, teremos as eleições municipais para os cargos majoritários e proporcionais. É um momento político importante em que a maioria da população pode purgar nas urnas eletrônicas os seus desejos e as suas indignações, através de uma escolha racional e com responsabilidade social. Particularmente, não corroboro a corrupção e o instituto da reeleição.

Nesse contexto, considerando que o futuro eleitoral no Brasil não está escrito, mesmo que falsos profetas do marketing político, charlatões e caciquistas de plantão digam o contrário, existe uma atmosfera de ansiedade pairando sobre as cabeças daqueles que querem resultados positivos em 2020, para se projetarem na questão sucessória de 2022 – minirreformas eleitorais, criação de partidos, filiações virtuais etc.

O sistema eleitoral majoritário é usado para o eleitor escolher os chefes do Executivo (presidente, governadores e os prefeitos) – onde o candidato precisa alcançar a maioria absoluta dos votos válidos (mais de 50% dos votos, não considerando os brancos e nulos). Caso isso não aconteça, a disputa será em 2º turno entre os dois candidatos mais votados – na eleição majoritária, o segundo turno só ocorre em cidades com mais de 200 mil eleitores; e no cargo de senador são eleitos os mais votados, ou seja, por maioria simples.

O sistema proporcional determina o modo como os representantes dos órgãos legislativos estaduais e municipais são eleitos (deputados e vereadores) – onde o eleitor pode votar tanto no candidato quanto no partido - em 2020, não terão coligações, ou seja, os partidos não poderão fazer alianças para as câmaras municipais. 

Nesse momento, a antecipação do debate das eleições 2022 é prematura por um simples fato histórico: politicamente, as eleições municipais não definem a sucessão presidencial, mas apontam vetores de provável influência. Além disso, a ruptura com o presidencialismo de coalizão e surgimento da suposta “não política” do presidente – como um novo (ou falso) modelo político –, têm deixado a classe de profissionais da política desorientada quanto à direção e o sentido a serem tomados nas eleições municipais 2020.

Politicamente, antecipar para 2020 os movimentos que serão realizados em 2022, podem ser pouco inteligente e producente, já que os discursos de ser “novidade” ou “diferente dos outros” na política não tem mais tanta receptividade no eleitorado, escaldado com tantas mentiras eleitoreiras, candidatos laranja, caixa 2, partidos de aluguel e corrupção.
Por um lado, a emergência das eleições municipais de 2020 exige mais discussões sobre os problemas locais (do município) – p.ex. a saúde, o saneamento básico, a educação etc. Por outro lado, as redes sociais ainda terão um papel de destaque nas eleições de 2020, mesmo em municípios de menor porte.

Porém, a campanha virtual oferece riscos devido a visibilidade midiática sobre os falsos candidatos e as fraudes eleitorais. Assim, o eleitorado despertou e tenderá a rejeitar os “candidatos fake news” e os aventureiros políticos, que se enfeitam de promessas irrealistas, ideias mirabolantes e se afogam em discursos vazios de sentido.

Com isso, como aconteceu em 2016, nas eleições municipais de 2020, o “voto nulo”, a “abstenção” e o “voto em branco” serão os eleitores mais difíceis de serem conquistados. Principalmente, para os candidatos que apresentarem propostas políticas distantes da realidade dos munícipes. A escolha de lideranças locais é outro fator importante para atrair ou afastar eleitores. E, para atrair o voto de jovens e idosos será fundamental ouvi-los e incluir as suas necessidades nas discussões e no plano de governo.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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