Doutor em Antropologia

Arnaldo Eugênio

Doutor em Antropologia

A velha política de Jair Bolsonaro

Foto: VejaJair Bolsonaro
Jair Bolsonaro

 

Quando Jair Bolsonaro (sem partido) apareceu como presidenciável, e venceu a eleição com 55,13% dos votos válidos, no vácuo político aberto pelo ódio ao PT, a Operação Lava Jato e a negação da política, prometendo usar a meritocracia e acabar com a “velha política”, ele estava blefando com o desespero dos eleitores incautos e dos enojados com as trapalhadas petistas.

Ele já transitou pela maioria dos partidos que compõe o “centrão” – um grupo de partidos com parlamentares expert na “velha política” do toma lá dá cá, para pilhar o erário. A fidelidade partidária não é uma característica dos que se utilizam da “velha política” para se eleger e se manter no poder a qualquer custo ético e/ou moral.

Quanto a fiabilidade, Bolsonaro já foi preso por ferir dois sustentáculos básicos da carreira militar: a disciplina e a hierarquia. E, em meio a pandemia de coronavírus que já matou quase 70 mil brasileiros, o seu governo negacionista, alheio às dores das famílias enlutadas, está movendo mundos e fundos para influir, diretamente, na eleição do sucessor de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara dos Deputados.

Para tanto, experiente na “velha política” - com 28 anos de mandato de deputado federal por vários partidos de aluguel -, Bolsonaro, sem qualquer plano de Estado ou de governo em ação, aproveita-se da situação pandêmica para se reunir com os insaciáveis líderes dos partidos do “centrão” e propor a troca de apoio político por loteamento de cargos públicos. Na prática, Bolsonaro usa daquela máxima do “vale tudo pelo poder”, com ou sem milícia, fake news, “rachadinha”, “passar a boiada”, partido de aluguel, “gabinete do ódio” etc.

Ressalte-se que o loteamento político de cargos públicos, com a indicação de pessoas (ou parentela) de baixa capacidade técnica gera diversas distorções na estrutura estatal e no nível de competitividade do estado brasileiro, ou seja, o povo é enganado e ainda paga a conta pelos desmandos políticos.

Bolsonaro, que prometera uma reforma administrativa com menos ministérios e mais eficiência estatal, mais uma vez estava blefando com o desalento do seu eleitorado. Pois, na verdade, ele criou, fundiu e recriou ministérios conforme a sua inabilidade em gestão pública foi se tornando explícita demais da conta para passar desapercebida, inclusive pelo seu eleitor.

O seu autoritarismo – de querer ser o “poderoso chefão da caneta Bic” – no enfrentamento de tudo e de todos, o levou ao isolamento político. E isso era tudo que os sanguessugas do erário queriam, para colocá-lo refém de possíveis manobras políticas na Câmara dos Deputados – que Bolsonaro sabe muito bem o modus operandi.

Assim, por arrogância, ignorar a geografia política do país e as demandas regionais por estados, Bolsonaro fará de tudo e será usado de todos os modos pelos partidos do “centrão” e outros oportunistas, para conseguir apoio e se manter no poder. Num sinal de desespero, ele já aumentou em até R$ 1.600 os salários de oficiais e incentivou atos antidemocráticos, por parte dos seus apoiadores radicais, contra o STF e o Congresso. De fato, tais ações depõem mais do que blindam o governo e o encurrala ainda mais no “cercadinho”.

Historicamente, todos os que antecederam a Bolsonaro, nesse tipo de prática política, contribuíram para o sucateamento da estrutura estatal, nivelaram a política por baixo, dividiram a sociedade e jogaram o país no atraso socioeconômico. Pois, todos os políticos que optam pela “velha política” têm como único objetivo se locupletar do erário, tanto que abandonam carreiras civis e militares para “viver de política”.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.


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