Vice-prefeita diz que foi 'violentada politicamente' por prefeito de Cuiabá
Em vídeo, Vânia Rosa expõe racha com Abilio Brunini e relata isolamento na Prefeitura de Cuiabá
Vânia Rosa expõe racha com Abilio Brunini e relata isolamento na Prefeitura de Cuiabá
O QUE ACONTECEU
A vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa (Novo), afirmou viver um cenário de frustração, isolamento e violência política de gênero dentro da atual administração municipal. Em entrevista concedida nesta sexta-feira (19) à Rádio Cultura FM, ela falou abertamente sobre o rompimento com o prefeito Abilio Brunini (PL) e acusou o gestor de esvaziar deliberadamente suas atribuições desde a vitória eleitoral.
Segundo Vânia, a relação institucional se deteriorou logo após o resultado das urnas. No dia seguinte à eleição, ao questionar qual seria seu papel no novo governo, recebeu de integrantes do núcleo político a orientação para “ir para casa”. A vice-prefeita afirmou ter permanecido no processo de transição acreditando em uma mudança de postura, o que, segundo ela, não ocorreu.
Coronel da reserva da Polícia Militar de Mato Grosso, Vânia sustenta que sua presença na chapa foi decisiva para equilibrar a candidatura, especialmente junto ao eleitorado feminino. Ela afirma que sua imagem de mulher católica, militar respeitada e defensora do combate à violência doméstica foi amplamente explorada durante a campanha, mas descartada após a posse.
“A palavra que define é frustração. Não com a política, mas com o próprio prefeito, de quem eu esperava uma postura diferente com a vice”, declarou. Para ela, a redução de funções, a retirada de influência e o bloqueio de recursos caracterizam violência política de gênero. “Esvaziar poder é violência política, doa a quem doer”, afirmou.
O racha entre prefeito e vice se tornou público há cerca de três meses e se aprofundou após a exoneração de Vânia da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob). À época, divergências com vereadores e dificuldades de diálogo foram levadas ao prefeito, que optou pela demissão. Um dos episódios mais simbólicos foi a chamada “vistoria de demissão”, interpretada nos bastidores como um gesto de rompimento definitivo de confiança.
Meses depois, um decreto limitou a atuação institucional da vice-prefeita, exigindo autorização expressa do gabinete do prefeito para compromissos administrativos e oficiais. Em dezembro, o desgaste aumentou com a chamada “seca orçamentária”, quando a Lei Orçamentária Anual passou a prever recursos mínimos para a Vice-Prefeitura.
Vânia afirma ainda sofrer tentativas recorrentes de desqualificação pública e diz que o cenário tem repercutido até mesmo dentro da Polícia Militar. “Meus coronéis ligam perguntando o que está acontecendo. Dizem que nunca viram uma exposição dessa natureza. Isso macula uma carreira construída ao longo de anos”, relatou.
Ao tornar o conflito público, a vice-prefeita disse ter esgotado todas as tentativas de diálogo interno. “Cansei de chorar, de ser exposta e fingir que está tudo bem. O respeito não nasceu nos bastidores. Agora, precisa vir à tona”,
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