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Flávio emitiu R$ 1,5 mi em notas para empresas de Vorcaro

Flávio nega qualquer relação com o Banco Master e afirma que as notas canceladas não resultaram em pagamento


Reprodução Flávio emitiu R$ 1,5 mi em notas para empresas de Vorcaro
Documentos expõem repasses milionários ligados a Flávio Bolsonaro

O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL) emitiu três notas fiscais que totalizam R$ 1,5 milhão para empresas ligadas ao contador Rogério Lourenço Novo, apontadas como integrantes de uma estrutura empresarial associada ao Banco Master. Duas notas, que somavam R$ 1 milhão, foram canceladas no mesmo dia da emissão, enquanto uma terceira, de R$ 500 mil, permaneceu ativa. Flávio nega qualquer relação com o Banco Master e afirma que as notas canceladas não resultaram em pagamento.

O que aconteceu

Uma reportagem revelou que o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu três notas fiscais, em abril de 2025, que somam R$ 1,5 milhão para empresas ligadas ao contador Rogério Lourenço Novo. Segundo a apuração, os documentos reforçariam conexões comerciais entre o senador e empresas que fariam parte de uma estrutura societária associada ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no contexto das investigações conhecidas como caso Dark Horse.

As duas primeiras notas fiscais foram emitidas em 7 de abril de 2025, cada uma no valor de R$ 500 mil, em nome da Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., com a descrição de prestação de serviços de consultoria jurídica. Ambas foram canceladas na mesma data. Em 9 de abril de 2025, o escritório emitiu uma terceira nota fiscal, também de R$ 500 mil, desta vez para a Contábil Correa, sem registro de cancelamento.

Segundo a apuração, Copenhagen Consultoria e Contábil Correa têm em comum o contador Rogério Lourenço Novo, que aparece como diretor responsável da Copenhagen na Receita Federal e como único sócio da Contábil Correa. As duas empresas também compartilham o mesmo endereço comercial em São Caetano do Sul (SP). A Copenhagen não possui sede própria nem página na internet.

A reportagem lembra ainda que Rogério Lourenço Novo foi investigado pela Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema de emissão de notas fiscais falsas entre 2013 e 2015, voltado à evasão tributária. Na época, a fraude foi estimada em mais de R$ 100 milhões.

Segundo a apuração, a Copenhagen foi criada em novembro de 2024 com capital social de R$ 40 e passou a figurar entre as empresas que mais receberam recursos do Banco Master. A reportagem afirma que Daniel Vorcaro teria destinado R$ 58 milhões à empresa, sendo os primeiros aportes, de R$ 11,2 milhões, realizados logo após sua constituição.

Ainda conforme a apuração, a Copenhagen pertence formalmente ao Fundo Estônia, administrado pela Trustee DTVM. A gestora é investigada pela Polícia Federal por suspeita de movimentar e ocultar patrimônio ligado ao grupo empresarial de Vorcaro. A Trustee afirmou que não exercia ingerência sobre as relações comerciais da Copenhagen nem sobre pagamentos ou negociações envolvendo a empresa e o Banco Master.

Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que seu escritório firmou contrato de prestação de serviços jurídicos apenas com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa, empresa que, segundo ele, atende mais de 200 clientes. O senador declarou que a Copenhagen chegou a ser apresentada como possível cliente, mas a contratação não foi concluída, razão pela qual as notas fiscais emitidas para essa empresa foram canceladas e nenhum valor foi recebido.

Flávio também negou conhecer qualquer relação entre a BR Global, a Copenhagen e o Banco Master. Segundo ele, qualquer tentativa de associá-lo à instituição financeira é infundada e será contestada judicialmente. O senador afirmou ainda que não é investigado no caso e levantou a hipótese de vazamento de dados protegidos por sigilo fiscal, informando que pretende representar aos órgãos competentes para apuração da suposta irregularidade.

Rogério Lourenço Novo confirmou ter contratado o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços jurídicos aos clientes de sua empresa de contabilidade, em um modelo que classificou como "quarteirização". Questionado sobre quais clientes foram atendidos e quais serviços foram prestados, disse possuir mais de 200 clientes, afirmou não se recordar dos detalhes e pediu prazo para reunir as informações, mas, segundo a apuração, não retornou o contato.

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