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"Tornozeleira é pra ladrão e pra pombo correio", disse Lula

Quando esteve preso foi sugerido a Lula a prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Ele rejeitou de forma veemente


Reprodução e IA "Tornozeleira é pra ladrão e pra pombo correio", disse Lula
"Tornozeleira é pra ladrão e pra pombo correio", disse Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou 580 dias preso na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, entre abril de 2018 e novembro de 2019, em decorrência de condenações oriundas da Operação Lava Jato. A prisão foi determinada pelo então juiz federal Sérgio Moro, no âmbito do chamado caso do “triplex do Guarujá”. A sentença condenatória foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou Moro parcial no julgamento, comprometendo a legalidade do processo.

Durante o período em que esteve detido, a defesa de Lula foi pressionada por setores do judiciário e da opinião pública a aceitar a possibilidade de conversão da pena em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica — uma alternativa vista por muitos como solução intermediária diante do desgaste internacional que a prisão causava ao Brasil. Lula, no entanto, rejeitou de forma veemente qualquer condição que não significasse sua plena absolvição.

“Não troco minha dignidade pela minha liberdade. Tornozeleira é para ladrão e para pombo-correio, não para um homem inocente”, declarou o ex-presidente, reafirmando sua convicção de que havia sido vítima de perseguição judicial. A frase repercutiu amplamente e se tornou um marco da postura de enfrentamento adotada por Lula frente à Lava Jato.

O Supremo Tribunal Federal, em decisões tomadas entre 2020 e 2021, declarou a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar os processos contra Lula, reconheceu a suspeição de Sérgio Moro e anulou as sentenças. O processo foi arquivado e os direitos políticos do ex-presidente foram restituídos, o que lhe permitiu concorrer e vencer as eleições presidenciais de 2022.

O contraste com a situação de Lula tornou-se ainda mais evidente em julho de 2025, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo de medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito das investigações sobre tentativa de golpe de Estado. Entre as restrições impostas pela Justiça, está o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, medida que simboliza a gravidade das acusações e a necessidade de monitoramento constante do ex-mandatário. A decisão foi tomada após Bolsonaro demonstrar comportamento considerado hostil às instituições, com suspeitas de articulações para fuga e desestabilização democrática.

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