Política

STF retoma trabalhos sob tensão interna e pressão do Congresso

Divisões no tribunal, investigações sensíveis e ano eleitoral moldam cenário


Ton Molina/STF STF retoma trabalhos sob tensão interna e pressão do Congresso
O ministro Edson Fachin

O STF retoma os trabalhos em meio a divisões internas, desgaste por investigações e expectativa de embates com o Congresso. A abertura do ano ocorre sob tentativa de demonstrar unidade, enquanto julgamentos sensíveis e o debate sobre um código de conduta devem intensificar a tensão institucional em ano eleitoral.

O que aconteceu

O Supremo Tribunal Federal (STF) reinicia oficialmente suas atividades nesta segunda-feira (2) em um contexto de tensões internas e crescente desgaste institucional. Após o recesso, a Corte enfrenta críticas relacionadas à investigação do Banco Master e se prepara para um ano marcado por disputas com o Congresso Nacional, cenário que tende a se agravar com a proximidade das eleições de outubro.

Segundo a Folha de S.Paulo, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, pediu a presença de quase todos os ministros na sessão solene de abertura como forma de sinalizar unidade. A única ausência física será a do ministro Luiz Fux, que, diagnosticado com pneumonia, participará de forma remota.

Nos bastidores, há expectativa de que Fachin faça um discurso em defesa do tribunal. Ainda não está claro se ele abordará diretamente a proposta de criação de um código de conduta para ministros de tribunais superiores, uma das bandeiras de sua gestão. O tema divide o plenário: enquanto parte apoia a iniciativa, outra ala avalia que o momento é delicado e que o debate pode ampliar críticas externas.

A discussão ganhou força após a repercussão envolvendo o ministro Dias Toffoli, relator da investigação do Banco Master. Aliados aconselharam Fachin a evitar movimentos que possam fragilizar o STF no início de um ano eleitoral.

Ministros avaliam que a relação com o Congresso tende a piorar, com possíveis avanços de pedidos de impeachment, inclusão do STF em CPIs e propostas do chamado “pacote anti-STF”. Paralelamente, o tribunal terá julgamentos sensíveis em 2026, incluindo casos sobre emendas parlamentares, o assassinato de Marielle Franco e ações contra parlamentares. A estratégia interna é concentrar decisões mais delicadas no primeiro semestre, antes do auge do calendário eleitoral.

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