Site faz perfil de Ciro Nogueira e levanta os escândalos que envolvem o senador
Site fez um levantamento de quais e quantos escândalos Ciro Nogueira viu seu nome envolvido
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) construiu uma trajetória política marcada por alianças estratégicas e forte influência no Congresso, consolidando-se como figura central do Centrão. Apesar de natural do Piauí — estado com forte base lulista —, Ciro viu sua carreira ganhar impulso nos anos de prestígio do petismo. Hoje, entretanto, se posiciona como antagonista de Lula e defensor do bolsonarismo, tentando se apresentar como bastião da moralidade.
Mesmo com histórico de envolvimento em diversas denúncias de corrupção — ainda que sem condenações —, Ciro encarna um discurso agressivo contra o governo, usando a mídia, como fez em entrevista à GloboNews, para distorcer informações sobre medidas como a mudança no IOF.
Seu patrimônio pessoal, que saltou de R$ 746 mil para mais de R$ 23 milhões entre 1998 e 2018, simboliza uma ascensão financeira proporcional à sua força política. Ainda assim, sua guinada ao bolsonarismo e suas ameaças ao governo Lula têm sido vistas por analistas e bastidores do Congresso como oportunismo puro, típico de um moralista de ocasião.
O site Fórum fez um levantamento de quais e quantos escândalos Ciro Nogueira viu seu nome envolvido? Foi feito um levantamento minucioso dessa trajetória para revelar quem é o senador que hoje quer “se crescer” para cima de Lula. Por mais que as histórias sejam múltiplas, ele jamais recebeu qualquer condenação por elas.
1 – Propinas da Odebrecht (Operação Lava Jato)
Na Lava Jato, a Procuradoria-Geral da República acusou o senador de embolsar R$ 7,3 milhões em propinas pagas pela Odebrecht entre 2014 e 2015. O objetivo seria garantir apoio político e facilitar negócios da Braskem, braço petroquímico da empreiteira. De acordo com delações e registros internos da Odebrecht, o dinheiro circulava com codinomes [“Piqui” e “Cerrado”] que faziam referência direta ao senador. Ainda assim, a denúncia acabou barrada no Supremo Tribunal Federal, que invalidou provas da leniência da empreiteira.
2 – Acusação de suborno com a UTC Engenharia
Outro episódio marcante veio à tona com a UTC Engenharia. Em 2014, delatores afirmaram que Ciro pediu R$ 2 milhões em troca de favorecimentos em obras do Ministério das Cidades e do governo piauiense. Também aqui o Supremo encerrou o caso por insuficiência de provas, mas a história alimentou o repertório de acusações que orbitam sua imagem.
3 – Obstrução de Justiça no “Quadrilhão do PP”
Quando se fala no “Quadrilhão do PP”, o nome de Ciro aparece novamente. Em 2018, o senador foi acusado de tentar subornar uma testemunha-chave para alterar o rumo de depoimentos que poderiam comprometer sua posição no suposto esquema de desvios bilionários da Petrobras. No entanto, mais uma vez o STF enterrou a denúncia, com um voto decisivo de um ministro indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
4 – Investigações envolvendo OAS e Engevix
Além desses processos, Nogueira também foi alvo de investigações envolvendo empreiteiras como OAS e Engevix. Segundo apurações jornalísticas da época, ele teria recebido R$ 1 milhão da OAS em troca de apoio a uma medida provisória no Senado e de destravar um financiamento da Caixa Econômica para a Engevix. Embora não tenham gerado denúncias formais, essas investigações permanecem sob sigilo até hoje.
5 – CPI das Bets e relações com o setor de apostas
Mais recentemente, seu nome ganhou destaque na CPI das Bets. Enquanto a comissão investigava a bilionária indústria de apostas online, vieram à tona informações de que o senador teria voado até Mônaco no jatinho de Fernando Oliveira Lima, dono de uma plataforma do famigerado “jogo do tigrinho”. O empresário, conhecido como Fernandin, aparece também em transferências suspeitas: um ex-assessor de Ciro recebeu R$ 625 mil de Fernandin, oficialmente pela venda de um relógio de luxo, transação que não convenceu muita gente, considerando que o mesmo assessor transferiu mais de R$ 30 mil para a conta pessoal do senador no mesmo período, conforme publicações da imprensa.
6 – Orçamento Secreto
A habilidade de Ciro para navegar por diferentes governos se evidencia no episódio do orçamento secreto. Quando assumiu a Casa Civil de Bolsonaro, ele ajudou a coordenar o controverso esquema de emendas parlamentares distribuídas sem transparência, o que turbinou a base de apoio do governo à custa de negociações políticas que ainda hoje levantam dúvidas sobre sua lisura.
7 – Uso de dinheiro público com jatinhos
Fora dos corredores do Congresso, Ciro também foi notícia pelo escandaloso uso de dinheiro público para bancar voos em aeronaves particulares. Reportagens revelaram que, apenas entre janeiro e março de 2023, em pleno recesso, ele gastou mais de R$ 53 mil em combustível para abastecer seu avião, um Beech Aircraft B200 avaliado em alguns milhões. Entre 2019 e 2021, o valor somado com esse tipo de despesa ultrapassou R$ 580 mil. Em 2024 e 2025, as polêmicas se repetiram: ele continuou abastecendo jatinhos em um aeródromo de Teresina pertencente a outro político do Centrão, usando notas fiscais consideradas opacas, sem detalhamento do serviço. Estimativas de redes sociais apontam que os gastos podem ter chegado a R$ 180 mil.
8 – Gastos suspeitos de Eliane Nogueira, sua mãe
A família de Ciro também entrou na lista de gastos questionados. Sua mãe, Eliane Nogueira, que ocupou sua cadeira no Senado quando ele virou ministro, já que ela é sua suplente, usou verba parlamentar também para abastecer aviões mesmo depois de ter declarado ao TSE que não possuía aeronaves. Entre 2021 e 2022, Eliane chegou a desembolsar quase R$ 47 mil em combustível de aviação, além de migrar depois para carros de luxo alugados, mantidos por R$ 15 mil mensais, pagos com dinheiro público.
9 – Negócios familiares sob suspeita
Em meio a tudo isso, surgiram negócios suspeitos de lavagem de dinheiro envolvendo a empresa da família Nogueira, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis. Segundo registros do Coaf, a empresa teria vendido imóveis para o empresário Fernandin, esse mesmo, o “homem do tigrinho”. Uma sala comercial comprada por R$ 3,7 milhões, quase dez vezes o valor venal do imóvel, foi revendida em três meses por R$ 7 milhões, uma valorização que chama a atenção de qualquer auditor.
No fim das contas, Ciro Nogueira se sustenta como peça central do jogo político brasileiro, mestre em articulações, mas também expert em sobreviver a denúncias e em se reinventar como paladino da moralidade. Mas, para quem o acompanha de perto, sua imagem continua indelevelmente ligada a um passado, e presente, de supostos e alegados esquemas, manobras e cifras que não harmonizam com o discurso “anticorrupção” que agora ele tenta vender ao eleitor.
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