Justiça

PF prende desembargador relator do caso TH Joias no TRF-2

Operação investiga vazamento de informações sigilosas que teriam beneficiado o Comando Vermelho no Rio de Janeiro


Reprodução PF prende desembargador relator do caso TH Joias no TRF-2
Desembargador Macário Judice Neto, relator do caso sobre TH Joias no TRF2

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (16), o desembargador Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Ele é o relator do processo que envolve o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, acusado de intermediar a venda de armas para a facção criminosa Comando Vermelho.

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Unha e Carne 2, deflagrada para apurar o vazamento de informações sigilosas e a obstrução de investigações conduzidas pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Segundo a corporação, a nova fase da operação dá continuidade às apurações que tiveram início com a Operação Zargun, deflagrada em setembro, e que resultaram na prisão de TH Joias.

Além do mandado de prisão preventiva contra o magistrado, estão sendo cumpridos dez mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Em nota, a PF informou que a ação está inserida no contexto do julgamento da ADPF 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou à corporação a investigação da atuação de grupos criminosos violentos e suas conexões com agentes públicos no estado.

As investigações indicam que informações sigilosas da Operação Zargun teriam sido repassadas ao ex-deputado TH Joias, permitindo a ocultação de provas e a tentativa de frustrar a ação policial. Em mensagens interceptadas pela PF, na véspera de sua prisão, TH Joias teria feito contato com o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, a quem se referia como “01”. De acordo com os investigadores, Bacellar teria orientado o ex-deputado a retirar objetos de sua residência para dificultar o trabalho da polícia.

Rodrigo Bacellar foi preso preventivamente no dia 3 de dezembro, na primeira fase da operação, mas acabou solto após decisão do plenário da Alerj. Mesmo em liberdade, ele responde ao processo sob medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com outros investigados, a retenção do passaporte e a suspensão do porte de arma. A decisão judicial aponta “fortes indícios” de que Bacellar teve conhecimento prévio da operação policial e colaborou para o vazamento das informações.

Macário Judice Neto havia retornado à magistratura em 2023, após permanecer afastado por quase duas décadas. Em 2005, ele foi afastado do cargo de juiz federal por decisão do próprio TRF-2, no contexto de denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF), que investigavam sua suposta participação em um esquema de venda de sentenças quando atuava no Espírito Santo. Apesar do histórico, acabou promovido ao cargo de desembargador após reassumir as funções.

As investigações também alcançam pessoas próximas ao magistrado. A esposa de Macário, Flávia Judice, atuou até recentemente no gabinete da diretoria-geral da Alerj, deixando o cargo no momento em que o caso envolvendo TH Joias já estava sob investigação.

A Operação Unha e Carne 2 segue em andamento e apura possíveis conexões entre agentes públicos, integrantes do sistema de Justiça e organizações criminosas que atuam no estado do Rio de Janeiro.

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