Política

O senador-abutre: Ciro Nogueira e a exploração da dor alheia

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) transforma tragédia em combustível para a própria sobrevivência.


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O senador-abutre: Ciro Nogueira e a exploração da dor alheia

Na natureza, o urubu sobrevive da morte dos outros. Alimenta-se de restos, depende do fim alheio para seguir existindo. Na política brasileira, a metáfora encontra endereço certo: o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que transformou a tragédia em combustível para a própria sobrevivência.

Em abril deste ano, a morte do papa Francisco, aos 88 anos, comoveu o mundo. Líderes políticos e religiosos prestaram solidariedade, enquanto no Brasil o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretava sete dias de luto oficial, medida seguida pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles. Mas, enquanto multidões lamentavam a partida de um dos mais populares pontífices da história, Ciro Nogueira aproveitou a ocasião para zombar. Em publicação no X (antigo Twitter), escreveu: “Habemus déficit! Habemus fome! Habemus violência! Que Deus ilumine o Brasil”. A frase, de tom irônico e desrespeitoso, caiu mal diante de um momento de dor e espiritualidade global.

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A atitude, no entanto, não foi isolada. Meses depois, em plena comoção pelo brutal assassinato do vereador Thiciano Ribeiro e da guarda municipal Penélope Brito, em Teresina, Ciro novamente enxergou oportunidade de se projetar. Ignorando o luto das famílias, correu ao X para dizer: “Mais um crime escancara o caos na segurança pública do Piauí. O vereador Thiciano Ribeiro e sua companheira foram assassinados em Teresina. Foi feminicídio. Não é mais sensação de insegurança, é a realidade. Até quando o governo vai se omitir? Minha solidariedade às famílias.”

A resposta veio de imediato do secretário de Segurança Pública, Chico Lucas, que não poupou o senador: “Senador, deixe de ser um abutre! Querer explorar a dor alheia, de duas famílias enlutadas por conta de um crime odiento. Você nunca fez nada pela segurança nas décadas que está no Congresso; sequer manda recursos para as polícias piauienses. A única coisa que fez foi se aliar a um discurso que objetifica as mulheres e estimula a violência de gênero.”

O episódio deixou evidente um padrão. Ciro Nogueira, como o urubu político que se tornou, prefere planar sobre tragédias e mortes para extrair dividendos eleitorais. Seu instinto não é de solidariedade, mas de oportunismo. Vive da dor dos outros, porque incapaz de oferecer propostas concretas que o mantenham relevante em tempos de paz.

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