Justiça

Mortes em Parnaíba: Justiça do Piauí julga hoje casal acusado de matar oito pessoas com veneno

O casal se tornou réu em março deste ano e está preso preventivamente em Teresina, mas foi transferido para Parnaíba para acompanhar a audiência


Reprodução Mortes em Parnaíba: Justiça do Piauí julga hoje casal acusado de matar oito pessoas com veneno
Maria dos Aflitos e Francisco de Assis, em fotos maiores. Sobre fundo verde as vítimas do casal

A Justiça do Piauí realiza nesta sexta-feira (5), às 9h, a audiência de instrução e julgamento do caso de envenenamento que resultou na morte de oito pessoas em Parnaíba, no litoral do estado. A sessão acontece na 1ª Vara Criminal da Comarca de Parnaíba e tem como réus Maria dos Aflitos da Silva e Francisco de Assis Pereira da Costa, avó e padrasto de parte das vítimas. Ambos respondem por oito homicídios qualificados e três tentativas de homicídio.

O casal se tornou réu em março deste ano e está preso preventivamente em Teresina, mas foi transferido para Parnaíba para acompanhar a audiência. A sessão, inicialmente marcada para 30 de julho, só pôde ser confirmada após a conclusão do laudo de sanidade mental de Francisco de Assis, solicitado pela Defensoria Pública. O documento, finalizado na última terça-feira (2), apontou que ele possui plena capacidade mental para responder pelos crimes.

Cronologia dos crimes

As investigações revelaram que os envenenamentos foram praticados com terbufós, substância presente em agrotóxicos e também no “chumbinho”, veneno cuja venda é proibida no Brasil. O histórico dos crimes mostra três episódios distintos:

  • 22 de agosto de 2024 – As primeiras mortes foram das crianças Ulisses Gabriel (8 anos) e João Miguel da Silva (7 anos), netos de Maria dos Aflitos. Inicialmente, a vizinha Lucélia Maria chegou a ser presa, mas a polícia concluiu que o crime havia sido articulado por Francisco e Maria.

  • 1º de janeiro de 2025 – Durante um almoço de Ano-Novo, o casal misturou veneno no arroz servido à família. Morreram Manoel Leandro (18 anos), filho de Maria dos Aflitos; as crianças Maria Lauane (3 anos), Maria Gabriele (4 anos) e Igno Davi (1 ano e 8 meses), netos da acusada; além de Francisca Maria (32 anos), filha da ré e mãe das crianças. Outras pessoas que participaram do almoço sobreviveram, mas configuraram tentativas de homicídio, incluindo uma adolescente de 17 anos e uma criança de sete anos.

  • 22 de janeiro de 2025 – Maria Jocilene da Silva (41 anos), ex-nora de Maria dos Aflitos e que também havia participado do almoço de Ano-Novo, foi novamente envenenada e morreu após beber café preparado pela acusada. Segundo as investigações, Maria dos Aflitos tentou incriminar Jocilene para afastar suspeitas do marido. A polícia descobriu ainda que as duas mantinham um relacionamento amoroso.

Investigações e provas

Durante o inquérito, Maria dos Aflitos admitiu ter envenenado Maria Jocilene “cega de amor” por Francisco. Já em imóveis ligados a Francisco, a polícia encontrou um baú com materiais sobre nazismo, incluindo livros e DVDs. Em um deles, intitulado Médicos Malditos, havia anotações destacando que “para despistar as futuras vítimas, o produto deveria ser eficaz e sem gosto” — exatamente as características do terbufós usado no baião de dois.

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