Lula pressiona por candidaturas próprias do PT em Minas Gerais e Goiás
Partido tenta consolidar nomes em Minas Gerais e Goiás para fortalecer os palanques estaduais de Lula na disputa pela reeleição
A definição das candidaturas do Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições de 2026 tem provocado intensas articulações internas em diferentes estados. Em Minas Gerais e Goiás, a direção nacional da legenda trabalha para consolidar candidaturas próprias aos governos estaduais como parte da estratégia de fortalecer os palanques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pela reeleição.
As negociações, conduzidas pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, contam com participação direta de Lula e evidenciam os desafios enfrentados pelo partido para equilibrar interesses regionais e a estratégia nacional. Nos dois estados, dirigentes tentam convencer lideranças que preferem disputar outros cargos a assumirem candidaturas ao Executivo estadual.
Minas Gerais: Marília Campos confirma pré-candidatura ao Senado e rejeita disputar o governo
A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), confirmou sua pré-candidatura ao Senado por Minas Gerais após acordo com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e com a presidente estadual da legenda, a deputada Leninha. A decisão encerra as especulações de que ela poderia disputar o governo mineiro.
O tema ganhou força após uma reunião realizada em 24 de junho entre o presidente Lula, parlamentares e dirigentes petistas de Minas Gerais para discutir a formação do palanque eleitoral do partido no estado. Durante o encontro, integrantes da legenda defenderam que Marília fosse candidata ao Palácio Tiradentes.
A ex-prefeita, entretanto, recusou a mudança de estratégia e manteve sua decisão de disputar uma vaga no Senado. Ela chegou a classificar como um "equívoco estratégico" a possibilidade de o PT lançar candidatura própria ao governo de Minas Gerais.
As críticas foram reforçadas pelo economista José Prata Araújo, marido de Marília e coordenador de sua pré-campanha, que definiu a estratégia como um "desastre político". Apesar das divergências, a ex-prefeita sinalizou que apoiará o nome escolhido pelo partido para disputar o governo estadual.
Com a saída de Marília da disputa pelo Executivo, o PT passou a buscar alternativas. Entre os nomes mais citados está o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, considerado por aliados um quadro respeitado e competitivo. O parlamentar, contudo, não demonstrou disposição para entrar na disputa majoritária e segue concentrado em sua campanha à reeleição para a Câmara dos Deputados.
Outro nome avaliado é o deputado federal Paulo Guedes (PT-MG). A busca por um candidato ganhou força após o diretório estadual aprovar resolução favorável ao lançamento de candidatura própria ao governo, diante das dificuldades de Lula em construir uma aliança capaz de garantir um palanque competitivo em Minas.
Nos últimos meses, Edinho Silva também tentou viabilizar alianças com outros partidos. O dirigente conversou com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), buscou o apoio do senador Rodrigo Pacheco (PSB), que desistiu da disputa, e dialogou com Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal da capital mineira. Sem sucesso nas negociações, o partido consolidou a candidatura de Marília Campos ao Senado.
Goiás: Lula tenta convencer Adriana Accorsi a disputar o governo estadual
Em Goiás, o principal impasse envolve a deputada federal Adriana Accorsi (PT-GO). Em reunião realizada nesta quarta-feira (8), o presidente Lula voltou a defender que a parlamentar seja candidata ao governo estadual nas eleições de 2026.
Segundo informações da CNN Brasil, Lula pediu que Adriana aceitasse a missão de disputar o Palácio das Esmeraldas, mesmo diante de sua preferência por buscar a reeleição à Câmara dos Deputados. O presidente argumentou que uma candidatura competitiva do PT é considerada essencial para fortalecer seu palanque no estado e ampliar as chances da legenda em um eventual segundo turno.
A direção nacional do partido considera Adriana Accorsi o nome com maior potencial eleitoral para representar o PT em Goiás. A estratégia ganhou força após a decisão da legenda de priorizar uma candidatura própria ao governo estadual diante da dificuldade de construir alianças com outras siglas.
A deputada afirmou que deverá responder em breve ao apelo feito por Lula, mas, até o momento, mantém sua posição favorável à disputa por um novo mandato como deputada federal.
Também participaram da reunião o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e a vereadora de Goiânia Aava Santiago (PSB). Durante o encontro, Lula convidou Aava para disputar uma das duas vagas ao Senado por Goiás. Inicialmente, a vereadora também demonstrou resistência, já que pretendia concorrer à Câmara dos Deputados.
Direção nacional trava disputa interna sobre candidatura em Goiás
Enquanto tenta convencer Adriana Accorsi, a direção nacional do PT mantém suspensa a homologação da candidatura do ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno ao governo goiano.
O diretório estadual aprovou o nome de Bueno, um dos fundadores do PT em Goiás, mas a executiva nacional ainda não confirmou a indicação. Levantamentos internos da legenda apontam que sua candidatura poderia favorecer uma vitória em primeiro turno de Daniel Vilela (MDB), atual vice-governador de Goiás na gestão de Ronaldo Caiado (PSD).
O cenário reforça a estratégia da cúpula petista de buscar candidaturas com maior potencial eleitoral para fortalecer a presença do partido nas disputas estaduais e ampliar a estrutura política de apoio à campanha presidencial de Lula em 2026.
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