“Feche a boca”: o recado de Bolsonaro para Eduardo
Bolsonaro pede que Eduardo modere discursos para não atrapalhar negociações por anistia
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem atuado nos bastidores para conter os movimentos do filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem adotado uma postura pública de confronto em meio às delicadas negociações políticas que envolvem pedidos de anistia e redução de penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro.
Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Bolsonaro solicitou a interlocutores próximos que intercedam junto ao filho, pedindo que ele “feche a boca” e evite declarações que possam prejudicar articulações em curso. O pedido ocorre em meio à impossibilidade legal de contato direto entre pai e filho, imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ambos são investigados por suposta tentativa de coação ao Judiciário.
A comunicação indireta, no entanto, tem se mostrado ineficaz e gerado irritação por parte de Eduardo. Um dos parlamentares que teria atuado como emissário é o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que esteve com o ex-presidente na semana passada. Apesar disso, ele nega ter agendado encontros com Eduardo, que atualmente está nos Estados Unidos.
Dentro do grupo mais próximo ao deputado, a percepção é de que Bolsonaro, na condição de investigado, estaria vulnerável e sem plena clareza do cenário político. Essa visão foi reforçada por Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo nos EUA, que chegou a descrever o ex-presidente como “uma vítima, presa, doente e incapaz de decidir”, numa referência à suposta pressão por um acordo com as instituições.
Eduardo Bolsonaro também se manifestou nas redes sociais na última quinta-feira (25), ao criticar o andamento do inquérito no qual é acusado de coação. “A PGR me denuncia por coação, mas quem está sob coação é o meu pai”, escreveu o deputado.
O parlamentar vê com desconfiança as movimentações que buscam construir uma candidatura alternativa dentro do campo da direita para 2026. Ele teme que o apoio a outro nome – como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas – esvazie de forma definitiva o capital eleitoral bolsonarista. “Existe um movimento para exterminar com a direita. Quem ignorar isso é um verdadeiro negacionista, apenas um peão no tabuleiro prestes a ser tirado do jogo”, afirmou.
Nos últimos dias, Eduardo intensificou os ataques não apenas ao STF, mas também ao Centrão e ao próprio PL, partido ao qual ele e o pai são filiados. Lançou-se pré-candidato à Presidência da República, mesmo sem o aval de Bolsonaro, prometeu disputar a eleição contra Tarcísio se necessário, celebrou sanções americanas contra a esposa do ministro Moraes e classificou os ministros do Supremo como “mafiosos”.
A postura tem causado apreensão no entorno do ex-presidente, que, segundo aliados, enxerga nas falas do filho um risco real de inviabilizar qualquer tentativa de construção de saída jurídica e política para os impasses que envolvem seu nome e o de aliados.
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