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Falante antes, denunciado pelo ICL; agora, Ciro Nogueira se cala

O silêncio nas redes sociais do senador Ciro Nogueira, três horas após a publicação da acusação, contrasta com seu perfil habitual de respostas incisivas


Reprodução Falante antes, denunciado pelo ICL; agora, Ciro Nogueira se cala
Ciro Nogueira, “Primo” e “Beto Louco”

Embora habituado a uma presença pública intensa e manifestações frequentes em suas redes sociais, o senador piauiense Ciro Nogueira (PP) permanece em silêncio em seus canais pessoais desde a divulgação, há três horas, da reportagem do portal ICL Notícias intitulada "Acusados pela PF de chefiar esquema do PCC enviaram propina em dinheiro a Ciro Nogueira, diz testemunha" . Raramente inerte diante de acusações ou controvérsias, o parlamentar optou por uma comunicação restrita: seu único posicionamento ocorreu por meio de um ofício dirigido ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que preferiu tornar público, e no qual chegou a expor o número de celular do repórter responsável pela reportagem ICL Notícias.

Resumo da matéria do ICL Notícias:

  1. Acusações e testemunha
    Uma fonte anônima, ouvida pelo ICL Notícias e também em depoimento à Polícia Federal, afirmou que o senador Ciro Nogueira teria recebido uma sacola de papelão contendo dinheiro em espécie. O montante teria sido entregue por Mohamad Hussein Mourad (o “Primo”) e Roberto Augusto Leme da Silva (o “Beto Louco”), apontados como chefes de um esquema criminoso do PCC que operava com fundos de investimento na Faria Lima e fraudes bilionárias no setor de combustíveis. Segundo a fonte, o encontro ocorreu em agosto de 2024, no gabinete do parlamentar no Senado.

  2. Meios e motivo da propina
    A sacola, descrita como grampeada e de largura compatível com cédulas, teria sido entregue pessoalmente a Ciro Nogueira. A suposta propina estaria vinculada à atuação do senador em favor dos interesses dos suspeitos junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP) e em projetos de lei em tramitação no Senado.

  3. Operação Carbono Oculto
    Os dois suspeitos — “Primo” e “Beto Louco” — estão foragidos após a deflagração da Operação Carbono Oculto, que reuniu Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público paulista para desmantelar uma organização bilionária envolvida em fraudes fiscais, lavagem e uso de fintechs para movimentações não rastreáveis.

  4. Reação de Ciro Nogueira
    Em ofício ao ministro Ricardo Lewandowski, o senador classificou o ICL como um “site de pistoleiros” e declarou que jamais mantivera contato com os acusados, nem defendendo interesses deles no Senado. Disponibilizou todos os seus sigilos — incluindo de gabinete e telefone — e solicitou à Polícia Federal que investigasse os registros de acesso ao seu gabinete e eventuais encontros nos escritórios dos acusados.

  5. Resposta da ICL Notícias
    A direção do portal repudiou a divulgação do número do celular do repórter responsável pela reportagem, considerou a atitude do senador como autoritária e responsabilizou-o pelas possíveis consequências do ato.

Considerações finais:
O silêncio nas redes sociais do senador Ciro Nogueira, três horas após a publicação da acusação, contrasta com seu perfil habitual de respostas incisivas. Sua reação, restrita a um encaminhamento formal ao Ministério da Justiça, evidencia que teve prioridade controlar o tom e o meio da sua resposta, em vez de buscar o confronto direto no espaço digital ao qual está acostumado.

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