Política

Está na hora do Piauí superar Ciro!

Entre avanços econômicos e crises políticas, o estado enfrenta o debate sobre qual modelo de desenvolvimento deve orientar seu futuro institucional e social


Reprodução Está na hora do Piauí superar Ciro!
Ciro Nogueira e Cássio de Sousa Borges

Cássio de Sousa Borges, doutor em História do Brasil 

O Piauí vive um dos momentos mais importantes de sua história recente. Durante décadas, o estado foi tratado nacionalmente como símbolo de atraso econômico, baixa capacidade de investimento e dependência estrutural do poder central. Hoje, porém, os indicadores mostram outra realidade: o Piauí aparece entre os estados brasileiros que mais avançaram economicamente nos últimos anos, segundo levantamento do Ranking de Competitividade dos Estados do CLP, ocupando a 5ª posição nacional em evolução econômica entre 2023 e 2025.

Esse avanço não aconteceu por acaso. Ele resulta de uma combinação de investimentos públicos, modernização administrativa, ampliação da infraestrutura, fortalecimento institucional e capacidade crescente de atração de investimentos privados. O estado passou a ocupar espaço estratégico em áreas como energia renovável, logística, tecnologia e expansão produtiva, que contempla a agricultura familiar e o agronegócio. Pela primeira vez em muito tempo, o Piauí começa a construir uma imagem associada a futuro, planejamento e desenvolvimento.

É justamente nesse contexto que o debate político ganha ainda mais importância. Nos últimos dias, o nome do senador Ciro Nogueira voltou ao centro do noticiário nacional após nova fase da investigação envolvendo o escândalo do Banco Master. A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra o parlamentar no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, vantagens indevidas e atuação política ligada aos interesses do banco. A defesa do senador nega qualquer irregularidade e afirma que colaborará com as investigações.

Independentemente do resultado judicial, o episódio aprofunda uma discussão política inevitável: qual projeto representa o futuro do Piauí?

O estado precisa decidir se continuará avançando em direção à modernização econômica e institucional ou se permanecerá subordinado a um modelo político marcado pela corrupção, concentração de poder, personalismo e sobrevivência das velhas estruturas oligárquicas.

Durante décadas, parte significativa da política tradicional piauiense construiu sua força muito mais pela ocupação de espaços de poder em Brasília do que pela transformação estrutural do estado. Enquanto isso, o Piauí seguia entre os mais pobres do Brasil, com baixa industrialização, pouca infraestrutura e reduzida capacidade de competição econômica.

Agora, porém, os indicadores começam a mostrar outro cenário. O crescimento recente do estado demonstra que o desenvolvimento depende menos de grupos políticos tradicionais e mais da capacidade de planejamento, gestão pública eficiente, estabilidade institucional e visão estratégica de longo prazo.

O próprio escândalo do Banco Master acabou simbolizando, para muitos brasileiros, uma forma antiga de relação entre política e poder econômico. As investigações apontam suspeitas de influência política, lobby institucional e articulações envolvendo interesses financeiros privados em Brasília. Mais do que uma disputa jurídica, o que está em jogo é uma disputa de modelos políticos.

De um lado, um projeto associado à preservação de estruturas tradicionais de poder, centradas em lideranças nacionais consolidadas há décadas. De outro, uma tentativa de construção de um novo ciclo de desenvolvimento estadual baseado em inovação, investimentos, modernização administrativa e fortalecimento da capacidade pública do estado.

Nenhuma liderança política é maior que o Piauí. Nenhum grupo pode se considerar proprietário do destino do estado. O povo piauiense merece acompanhar os fatos com atenção, respeitando o devido processo legal, mas também compreendendo que o debate atual ultrapassa nomes individuais: trata-se da definição sobre qual caminho o estado pretende seguir nos próximos anos.

O Piauí que começa a surgir no século XXI exige uma política comprometida com desenvolvimento, transparência, responsabilidade pública e futuro — e não apenas com a manutenção permanente de espaços de poder.

Siga nas redes sociais

Deixe sua opinião: